Existem muitas coisas que provocam dependência no ser humano o levando ao estágio de viciado. O vício se caracteriza pela total submissão da pessoa em relação ao objeto de sua dependência. Ele se dá em diferentes níveis. É claro que o vício a cocaína é muito mais letal que o da coca-cola. Mas a grande questão não é o estrago que o vício traz ao homem, e sim se ele consegue manter o estado de liberdade em que foi criado. Nós fomos criados com o direito a escolha. Acontece que muitos tem tido este direito retraído devido aos vícios adquiridos. “Como cidade derribada, que não tem muros, assim é o homem que não tem domínio próprio” (Pv 25:28).
A variedade de vícios é enorme. A começar obviamente pelas drogas, tanto lícitas como ilícitas, que tem levada inúmeras pessoas a dependência. Existem os viciados em compras, em sexo, em jogos, em internet, em café, em tv, em pornografia, enfim, em muitas coisas. Quando pensamos em vício de uma forma mais ampla, podemos até perguntar: Qual é o seu vício? Será que atualmente você tem tido algum tipo de dependência? Em geral, todo o objeto do vício se apresenta como algo prazeroso no início, mas com o passar do tempo vai se tornando uma tortura à medida que o indivíduo não consegue levar sua vida tranquilamente na ausência deste objeto. Se não tem acesso a rede, o viciado em internet acredita que sua vida está um vazio. Aquele que não pode deixar de beber um cafezinho, se o faz provavelmente terá naquele dia dor de cabeça. Quem tem vício por compras, alimenta muitas dívidas e quando não pode mais fazê-las, perde a satisfação na vida, pois não consegue encontrar prazer em outras coisas. Sem contar aqueles que destroem suas vidas e as de outros para alimentar seu vício em relação a drogas.
Os vícios retiram a consciência humana. O estado de dependência leva a mente humana a ser cauterizada. A única coisa que de fato importa para um viciado é alimentar o seu vício, independente do que tenha que fazer. Por isso, indivíduos outrora calmos, por causa do vício passam a roubar e matar. Por isso, filhos outrora amorosos e responsáveis passam a desrespeitar os pais em todos os sentidos. Por isso, mulheres abandonam filhos por não conseguir exercer seu papel de mãe e ao mesmo tempo sustentar seu vício. De fato o vício rouba a consciência humana. Conheço uma pessoa que ofereceu a própria esposa para ser violentada pelos traficantes em troca de droga. É assim que acontece, o indivíduo perde totalmente a capacidade de ponderar entre o bem e o mau. A única coisa boa aos seus olhos é o objeto de seu vício. É óbvio que esta falta de consciência não absolve os viciados pelos seus atos criminosos, mas de alguma maneira explica as barbaridades que ocorrem em decorrência da dependência.
Precisamos lutar contra qualquer tipo de vício e voltar ao estado de pessoas livres. Mas para que isto ocorra, precisamos dar alguns passos, como os que seguem:
Reconhecendo nossas fraquezas
“Porque quando sou fraco, então é que sou forte” (II Cor 12:10b).
O primeiro passo para se ver livre de qualquer tipo de vício é o reconhecimento da fraqueza. Este passo é necessário porque de fato não somos fortes. Não existe quem está totalmente imune aos vícios. Basta um problema, uma dor de cabeça, e então as portas são escancaradas para ele. Existem muitas pessoas que não conseguem abandonar os vícios por que acreditam que tem o controle, e quando quiserem parar, param. Infelizmente o que se percebe é algo totalmente contrário a isto. Pessoas querendo abandonar as drogas, o cigarro, o álcool, a pornografia, mas que não encontram forças. Isto ocorre porque nós somos fracos e vulneráveis e precisamos de ajuda.
Buscando ajuda
Quando falamos de buscar ajuda precisamos avaliar que o primeiro que deve ajudar ao viciado é ele mesmo. Não haverá mudança se a pessoa não estiver disposta a lutar pela sua recuperação. A partir deste passo o indivíduo deve entender que por mais que se esforce provavelmente nunca encontrará liberdade se lutar sozinho. Precisamos de outras pessoas e de Deus neste processo. Pessoas nos ajudarão a medida que nos fortalecem com seus testemunhos de reabilitação e também com demonstração de afeto. Não podemos nos isolar, precisamos do convívio com pessoas que queiram ver nossa recuperação. Mas isto ainda não é suficiente, precisamos de Deus. Aliás, precisamos de Deus para tudo na vida, não apenas para se recuperar de algum vício. “Se, pois, o filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8:36). A liberdade só pode ser completa com a ação de Cristo em nossas vidas. Os remédios, médicos, clínicas ou qualquer outra, se administrados alheios a Cristo, não podem garantir liberdade para o dependente. Somente Jesus tem poder para verdadeiramente nos libertar. Mas para que isto ocorra temos que busca-lo e conhece-lo. “Se permanecerdes em minha palavra verdadeiramente sereis meus discípulos. E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8:31,32). A liberdade que o Senhor oferece começa pelo desejo de permanecer em sua palavra e de ser seu discípulo. A partir deste desejo passamos a conhecer pessoalmente Aquele que é a verdade e que pode nos dar a condição de pessoas totalmente livres, Jesus Cristo.
Embriagados pelo Espírito
Muitos buscam as drogas pelo suposto prazer que ela traz. Estado de alucinação, de euforia, de alegria incontida, de extravasamento de personalidade retraída, são alvos que as pessoas buscam alcançar quando ingerem ou alimentam algum tipo de vício. Querem encontrar naquele objeto o que não encontram em nenhum outro lugar. Mas todos sabem, especialmente o viciado, que esta busca é uma terrível ilusão. A substância entorpecente pode até trazer algum benefício aparente, mas além de ser passageiro e volúvel, quando acabam seus efeitos restam apenas os estragos ocasionados por aquela noite de prazer.
Por isso quero oferecer a você um outro tipo de “nóia”, um outro tipo de “barato”. Quero oferecer a você um outro tipo de embriagues. Quero que você se embriague pelo Espírito. Certa vez os discípulos estavam reunidos e receberam o Espírito Santo sendo totalmente cheios por Ele. A alegria e a euforia era tanta que algumas pessoas acreditavam que eles estavam bêbados. “Outros, porém, zombando, diziam: estão embriagados!” (At 2:13). O Espírito nos leva a experimentar coisas que jamais experimentaríamos. Passamos a ter visões. Passamos a sentir e ter prova da presença de Deus. Experimentamos uma alegria incondicional e inconfundível que só pode ser produzida pelo próprio Espírito. O Espírito molda as nossas personalidades de maneira que fazemos o que pensávamos que nunca seríamos capazes de fazer. Leva-nos a uma capacitação mediante os dons que oferece para realizarmos verdadeiras maravilhas. Compreende a dor que sentimos como ninguém o faz, e por isso pode nos consolar como ninguém o faz.
Vale a pena se “embriagar” pelo Espírito. Deixar o controle em suas mãos. Quantas vezes oferecemos o controle das nossas vidas para o álcool e as drogas, mas hoje quero te convidar a deixar a sua vida totalmente ao controle do Espírito Santo. “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5:18).
Que Deus lhe abençoe!!