quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A imagem de Deus.

Minha esposa tem uma prima que se chama Leonora. Em 2001 fomos morar em outro país e desde então perdemos o contato com ela. Naquela ocasião Leonora era uma adolescente baixinha e muito gordinha. Moramos fora por quase 5 anos, retornando no final de 2005. Quando vi a foto da Leonora após o retorno, assustei: tratava-se agora de uma jovem muita alta e magra. Sua fisionomia e corpo mudaram completamente. Só acreditei que se tratava da mesma pessoa porque aqueles que ficaram no Brasil me afirmaram assim.

Esse fato me fez lembrar de uma ilustração que ouvi outro dia do Frei Carlos Mesters. Imagine se você tivesse que buscar na rodoviária uma tia avó, a mando de seu pai. Para cumprir a tarefa, seu pai lhe desse uma foto. Acontece que a foto havia sido tirada há 40 anos. Você esperava uma mulher de meia idade. Todos descem do ônibus, e ninguém se parece com aquela imagem que estava na foto. Por fim, desce uma senhora bem idosa e você então pergunta a ela se por acaso não havia visto a mulher em questão. Para sua surpresa ela diz: Sou eu! Você, meio incrédulo, pede licença e sai de fininho, pois na sua cabeça era impossível ser a mesma pessoa.

Algo semelhante acontece nas imagens que criamos acerca de Deus. Muitas vezes ficamos tão presos na foto que deixamos de perceber quem realmente é Deus. Willian P. Young escreveu um romance que ganhou muito destaque: “A cabana”. Nessa obra Young constrói imagens acerca de Deus que foram alvo de muitas críticas. Deus Pai é uma mulher negra e obesa, chamada Papai. Deus Filho é um homem do oriente médio que se dedica a marcenaria, chamado Jesus. O Espírito Santo era uma mulher asiática pequena e que provavelmente era jardineira, chamada Sarayu. Em uma passagem do livro, o personagem Mack (homem que vai ter um encontro com Deus na Cabana), depois de afirmar que Papai não poderia ser o mesmo Deus que ele conhecia, ouve da lindíssima Sophia (personificação da sabedoria de Deus): Talvez sua idéia sobre Deus esteja errada (Pg 150).

Diante disso, eu lhe pergunto: Qual a imagem que você tem de Deus? Será que ela é correta? A imagem que construímos de Deus determina quase tudo sobre as nossas vidas. A relação com o próximo, com o a criação, conosco mesmo, com a igreja, dentre outras coisas, sofre influência direta dessa imagem. E nós fazemos isso, construímos imagens sobre Deus. Às vezes consciente ou inconscientemente. Às vezes somos manipulados ou mesmo induzidos por aquilo que os outros dizem.

Conta-se uma história em que um menino assistia um dos vários filmes a respeito do ministério e vida de Jesus. Quando Pilatos realizava o julgamento, depois de alguma hesitação, Jesus foi finalmente condenado à morte. Nessa hora o menino exclamou com profunda satisfação: Isso mesmo Pilatos! A mãe, que estava na cozinha, assustada com a reação do filho, perguntou: Meu filho, como você pode reagir assim, é Jesus que vai morrer? O menino então responde: ora mãe, a senhora não diz que Jesus vive querendo castigar a gente por aquilo que a gente faz? Então eu acho que a condenação dele foi muito merecida.

Mais do que olhar para as imagens que nossas mães ou quem quer que seja constrói acerca de Deus, temos que olhar para aquilo que a Bíblia diz. Muitas imagens sobre Deus foram construídas ao longo das Escrituras. Deteremo-nos a uma imagem interessante construída no período do exílio babilônico e no pós-exílio, relatada no Dêutero-Isaías (Is 40-55) e no Trito-Isaías (Is 56-66), respectivamente. Vale dizer que a imagem antiga de Deus não funcionava mais. No período pré-exílico Deus era um monarca santíssimo, acessível apenas por alguns, os sacerdotes, que habitava em um templo, cujo grande sinal de sua benção era a oferta da terra. O exílio exigiu uma nova imagem de Deus, pois o templo foi destruído, o sacerdócio foi extinto e a terra foi invadida.

Nesse contexto a imagem que as pessoas passam a ter de Deus brota no ceio da família. Deus passa a ser experimentado no contexto familiar. Agora Deus é Pai (Is 64:8; Is 63:16): o pai que ama, perdoa e educa. Agora Deus é Marido (Is 54:5): o marido que ama, provê e acaricia. Agora Deus é Mãe (Is 66:13; Is 49:15): a mãe que gesta, amamenta e protege.

O povo hebreu usava um nome interessante para Deus: El Shaddai (lit. O Deus que amamenta). Certa ocasião um bandido, depois de assaltar um banco, procurava um refém para que pudesse fugir. Percebeu que tinha uma mãe com uma criança no colo. Então ele pede que a mulher lhe dê a criança, o que ela prontamente negou. Furioso, ele disse: ou a senhora me dá a criança ou então vou atirar em vocês. A mulher envolveu totalmente a criança em seu colo e disse: você pode me matar, mas meu filho eu não te entrego. O bandido atirou, a mulher morreu e a criança saiu ilesa. Talvez essa história trágica pode nos dizer um pouco sobre Deus. Este Deus, que também é mãe, é capaz de nos envolver com sua proteção doando-nos totalmente a vida, mesmo que para isso tenha que padecer.

Mesmo buscando essas imagens bíblicas sobre Deus ainda corremos o risco de errar. Podemos eleger aquelas que mais nos agradam e desprezar aquelas que não nos satisfazem tanto. Ou mesmo podemos continuar a propagar um discurso sobre Deus iverossímel por repetir o que os outros dizem. Conta-se uma história em que estava diante das pessoas uma foto de um homem com expressão muito severa e apontando um dedo de acusação. Alguém perguntou: o que essa imagem representa? As respostas foram: acusador, antipático, irritadiço, mal educado etc. Neste momento entra um jovenzinho correndo, e ao olhar a foto, esboça surpresa e exclama: este é o meu pai. Essa foto foi eu que tirei. Ele estava defendendo a causa de alguns sem-teto que foram expulsos de um terreno lá onde morávamos. Nessa hora meu pai estava muito bravo com os donos do terreno, pois ele sabia que aquela propriedade teria um fim nada humano nas mãos deles.

A semelhança daquele menino que abriu os olhos de quem era o seu pai para aqueles que não conseguiam ver além da imagem fotográfica, Jesus abre os nossos olhos para de fato enxerguarmos o verdadeiro Deus, seu Pai. Em Jesus, nos torna mais clara a compreensão do Deus Pai, do Deus Marido e do Deus Mãe. Em Jesus, Deus fica mais nítido e passamos a experimentá-lo como nunca. Então, lá vai uma dica: Se aproxime tanto de Deus a tal ponto de jamais confundi-lo. Essa aproximação só será possível pelas vias do caminho que se chama Jesus. Entregue completamente a sua vida a Jesus e nunca mais a imagem verdadeira de Deus será ofuscada.

Deus lhe abençoe!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Simplesmente como Jesus

“Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco)” (Mt 1:23).

A experiência do Deus encarnado é a grande distinção do cristianismo para as demais religiões. Se na maioria delas os seus deuses estão sempre distantes e indiferentes, para nós, os cristãos, isso não ocorre. O nosso Senhor não só encarnou, mas o fez por amor a humanidade e para que muitos pudessem dizer: Deus conosco.
Quando Jesus nasceu de uma virgem, chamada Maria, trouxe a um número enorme de pessoas, ao longo destes séculos da era cristã, a certeza de que Deus não está e nunca esteve disposto a deixar sua criação sozinha e desamparada. Jesus, o Deus Filho, se fez homem, habitou entre os homens, para através de sua vida dizer: “Ei, meus amigos e irmãos, eu estou aqui. Vocês nunca estiveram sozinhos. E agora quero mostrar-lhes através da minha vida e companhia como chegar ao coração do Pai.”
É impressionante saber que Jesus se sujeitou a isso. Como pode o Senhor de toda a glória se rebaixar a condição de um simples humano? Essa pergunta parece certa e tem sido feita por muitas pessoas. Contudo ela está equivocada em sua afirmação. O humano não é e nunca foi uma simples criatura. O ser humano é simplesmente imagem e semelhança de Deus, ou seja, de Jesus. Jesus ao tornar-se humano simplesmente assumiu outra característica do seu ser, a materialidade.  
O ser humano, na perspectiva bíblica, deveria ser alguém que refletisse a Deus, em seus atributos e qualidades. Então, ser humano é ser alguém que reflete atributos e características divinas (como amor, justiça, cuidado com os demais seres e coisas criadas, bondade, misericórdia, acolhimento etc). Por isso digo que não foi assumir a humanidade que foi ruim para Jesus, por que, humano mesmo, ele sempre foi. O que foi ruim foi exercer a sua humanidade diante de seres humanos não humanos, ou seja, de seres incapazes de espelhar a Deus como sua imagem e semelhança.
Por isso era necessário Deus conosco. Desaprendemos, por conta do pecado, a sermos humanos. Somente Jesus, em sua perfeita humanidade, poderia nos ensinar novamente o que somos de verdade. Mais do que isso, o Deus conosco se tornou o próprio caminho a ser trilhado (Jo 14:6) rumo a reconquista da perfeita humanidade, ou seja, cópia fiel de Cristo. Este é o nosso desafio, esta é a nossa missão: deixar o Deus conosco nos ensinar a sermos humanos novamente, para sermos simplesmente como Jesus. 

Deus lhe abençoe!

Ser Pai

Há seis meses Deus me fez pai, ou melhor, permitiu que duas crianças lindas me fizessem pai. Minha esposa não teve uma gestação convencional, pois eles nasceram em nossos corações. Sempre foi um sonho e parecia ser bem distante, mas Deus de maneira inesperada agiu e o milagre aconteceu, a paternidade se fez possível mais uma vez. É verdade, ser pai é desfrutar de um milagre de Deus.

De lá para cá muitas coisas mudaram. A vida traçou um novo rumo e a responsabilidade aumentou sobremaneira. Em casa éramos apenas dois, agora somos quatro. Da noite para o dia a cabeça se encheu com novas e genuínas preocupações. Perguntas como estas passaram a rondar minha mente: A comida que meus filhos estão comendo lhes é saudável? E a saúde deles, como está? Qual o conteúdo deste programa de TV que vamos assistir? O que estão fazendo enquanto estou trabalhando? Como foi o seu dia de aula? O que vai acontecer com eles no futuro? É verdade, ser pai é experimentar novos conceitos de responsabilidade.

Se as perguntas mudaram, a rotina da casa também mudou. No varal a maioria das roupas agora é feita em “miniatura”. Os brinquedos estão espalhados por toda a casa. O quarto de visita tornou-se quarto das crianças. O controle da TV já não é propriedade do papai. O horário já não está subordinado aos interesses dos adultos. A atenção da esposa agora sofre a “cruel” concorrência dos filhos. Não é verdade que as crianças sejam donas da casa, mas é bem verdade que elas mudaram a noção de propriedade do papai. Abrir mão em favor do filho não é uma dificuldade. É verdade, ser pai é ser altruísta.

A paternidade apresenta uma nova faceta do amor. Não que este amor seja maior ou menor do que outros amores da minha vida, mas certamente ele é novo e diferente. Como é doce a voz da minha “princesa” dizendo: Papai eu te amo! Como é cativante o sorriso fácil do meu “príncipe”. O amor surge diferente e é capaz de preencher a vida com profunda alegria e significado. É verdade, ser pai é viver um novo amor.

Sei que os meus filhos vão crescer e seguirão suas vidas. Se casarão, terão filhos e quem sabe, mudarão para lugares distantes. Faz parte da vida de pai preparar-se para uma eterna saudade. Mas quem disse que isso é ruim. Vê-los progredir, sendo exatamente aquilo que Deus projetou para suas vidas deve ser a maior realização de um pai. Embora eu ainda não tenha experimentado esta etapa, tenho uma forte convicção, que perto ou longe, pequenos ou grandes, meus filhos continuarão me fazendo um milagre de Deus, um ser responsável e altruísta, e que vive um amor intenso. É verdade, ser pai é ser saudosista, porém convicto.

Por fim vale dizer que Deus é a expressão maior do que seja pai. Ele não apenas experimentou o “milagre” de ser pai, mas ele é o próprio milagre que torna a paternidade possível. Deus é um pai responsável, a tal ponto de lutar até as últimas conseqüências para ver a nossa vitória. Além disso, ele é altruísta na medida em que abre mão de si mesmo em favor de nós. E certamente em Deus Pai está a maior expressão de amor que existe. Portanto, que sejamos pais, mas mais do que isso, que sejamos pais semelhantes ao Deus Pai. “Porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Abba, Pai.” (Gl 4:6).

As lições do estanho: dez anos ao lado de minha amada.


O estanho é um elemento químico de símbolo Sn, número atômico 50 (50 prótons e 50 elétrons) e com massa atómica de 118,7 u. Está situado no grupo 14 ou IVA da classificação periódica dos elementos. É um metal prateado, maleável que é sólido nas condições ambientais. Não se oxida facilmente com o ar e é resistente a corrosão.
É usado para produzir diversas ligas metálicas utilizados para recobrir outros metais para protegê-los da corrosão. O estanho é obtido principalmente do mineral cassiterita onde apresenta-se como um óxido. É um dos metais mais antigos conhecido, e foi usado como um dos componentes do bronze desde a antiguidade

O nosso amor e o estanho tem muita coisa em comum, você não acha? Se não prestou bem atenção as características deste elemento químico, talvez possa não ter percebido as semelhanças. Por isso abaixo relaciono algumas coisas que achei muito parecido com a gente.

A primeira coisa é que o estanho é um elemento químico, assim como o nosso relacionamento também acontece nos mesmos termos de um elemento químico. Ou não seria uma reação química a maravilha de dois se tronarem um; do coração disparar quando o outro se aproxima; da inexplicável saudade que dilacera o nosso interior quando estamos ausentes um do outro; do suor frio que sentimos quando nos olhamos... Não tenho dúvidas de que nossa relação é semelhante a um elemento químico, tal qual o estanho.

Outra coisa é que assim como o estanho o nosso amor é resistente a corrosão. Estes dez anos juntos não puderam corroer nem um pouquinho o que sentimos um pelo o outro, pois ele é à prova de corrosão. Deus nos uniu, e o fez de maneira definitiva e eterna. Se o estanho é usado para diversas ligas metálicas, Deus fez a nossa união com o que havia de mais duradouro, o amor. Nele vivemos estes dez anos, nele viveremos outros dez, vinte, trinta, quarenta... nele ultrapassaremos a barreira do tempo. Pois nossa união nasceu a dez anos atrás para durar simplesmente por toda a eternidade.

Como você observou, o estanho é um dos metais mais antigos que o homem tenha conhecimento. Nosso relacionamento não é tão antigo assim, mas o que nos une simplesmente não teve início, nem terá fim. Ele é o alfa e ômega, o princípio e o fim. Quem nos une é Deus. E tenho certeza que Deus quando projetou uma menina carioca nascida em 07/02/1978 chamada Amanda e um garoto campograndensse nascido em 26/02/1983, já tinha planejada nossa união desde sempre. Por isso podemos dizer que nossa relacionamento é tão ou mais antigo que o estanho, pois ele nasceu no coração de Deus desde sempre.

Por fim o nosso relacionamento pode ser comparado ao estanho pois ele é usado como um dos componentes de metal nobre e valioso, o bronze. A partir do estanho se chega ao bronze. O nosso relacionamento também produz muita coisa valiosa, não acha? A partir do nosso relacionamento se chega a felicidade, a realização, a paz, a fidelidade, ao compromisso, a conquistas, a segurança, ao amor... Não seriam estas coisas mais valiosas do que qualquer metal nobre? E antes de que você pense que esqueci, a partir do nosso relacionamento se chega a tesouros como estes: Lucas e Fernanda, nossos filhos amados...

Mas no final das contas você pode estar se perguntando, de onde eu tirei esta comparação tão incomum. É verdade que comparar o nosso relacionamento com o estanho não é algo que costumo fazer. Mas acontece que hoje eu tenho um motivo especial para fazer isso. Sabe por quê?

Feliz bodas de estanho (dez anos de casado).

Tudo bem vai, não é tão chique como bodas de prata ou bodas de ouro, mais no final eu não estou nem um pouco preocupado com isso, pois o que importa mesmo é que você me fez o homem mais feliz do mundo nestes últimos dez anos e certamente fará para todo sempre. Não se esqueça, foi muito bom estar contigo estes últimos dez anos, ainda melhor será passar toda a eternidade ao teu lado.

Eu te amo hoje e sempre.
Do seu amor Leandro Azambuja.


Promessas absurdas

A vida cristã está baseada em muitas promessas absurdas. Existem coisas das quais a palavra de Deus diz que de tão improváveis parecem ser inviáveis. Por exemplo, como conceber um Deus todo-poderoso, criador de todas as coisas que se importa tanto com a humanidade que se fez homem e resolveu entregar sua própria vida em favor dela garantindo-lhe assim a salvação. É um absurdo. É inimaginável. É loucura. Mas quem disse que a vida cristã teria que ser sustentada por coisas lógicas e compreensíveis? Quem disse que a nossa fé estaria firmada em promessas palpáveis e verificáveis?
Crer em Deus é crer no absurdo que extrapola em muito a nossa compreensão limitada da vida. É um absurdo justamente por se tratar de um ser ilimitado e transcendente. Não está ao alcance completo de nossas mãos. Em outras palavras, por mais que reflitamos sobre Deus e tiremos as nossas conclusões, Ele sempre nos surpreenderá.
Abraão e Sara experimentaram parte dessa surpresa. Apesar de já serem idosos o Senhor prometeu que eles seriam pais (Gn 18:9-15). Promessa absurda que veio a se concretizar, como se isso fosse necessário dizer, pois tudo que o Senhor promete Ele cumpre. Abraão e Sara puderem ver que o Senhor faz suas promessas e estabelece seu relacionamento conosco não apenas naquilo que os olhos podem ver, que as mãos podem tocar, que a mente pode refletir, enfim, que o ser humano pode discorrer. Deus realiza o provável e o improvável. Deus realiza o absurdo. Então, descanse e fique em paz, pois se o Senhor lhe prometeu algo, por mais absurdo que seja, Ele irá cumprir.

Deus lhe abençoe!

O Deus do ordinário e do extraordinário

Deus quer se relacionar conosco de tal forma que se mostre no ordinário da vida e também no extraordinário. Ele não está limitado a um ou a outro.
Vendo a ação de Deus no ordinário da vida (A grande pesca – Lc 5:1-11)
O texto bíblico nos fala de uma simples pescaria. Tratava-se de mais uma ação ordinária da vida onde as pessoas envolvidas puderam perceber a ação de Deus. A vida cotidiana precisa ser vivida com Jesus, pois é ele quem a torna possível. Às vezes somos presunçosos, ignoramos Deus das nossas atividades do cotidiano. Realizamos todas as coisas e nos esquecemos que Deus está presente. Acordamos, tomamos café da manhã, trabalhamos, almoçamos, jantamos, estudamos, dormimos... Onde Deus entra nestas atividades ordinárias da vida?
Temos que aprender a nos relacionar com Deus no ordinário da vida, pois Ele sempre estará presente. Quando atentamos para a presença de Deus nas atividades cotidianas, elas serão potencializadas. Convide o Senhor a participar do ordinário de sua vida. Pergunte a Ele onde você deve lançar sua rede, não seja afoito e precipitado. Convide Jesus para fazer parte do seu trabalho, de suas férias, de seus estudos, de seus relacionamentos, de seus planos, de seu ministério etc. Não caia na ilusão de que você pode sozinho. Por mais simples que seja a tarefa a realizar, ela nunca será tão simples a ponto de você não precisar de Jesus.
Um bom exercício para perceber Deus no ordinário da vida é atentar para sua criação. Você já parou para refletir sobre Deus a partir da criação? O apóstolo Paulo fez isso (Rm 1:20). Vejamos abaixo algumas coisas que podemos aprender diante de coisas ordinárias da vida: Oceanos (Grandeza de Deus); Vulcões (Poder de Deus); A inter-dependência de todos os seres (o caráter relacional de Deus); Flores, beija-flor, urso panda (beleza de Deus); Diversidade de peixes (Criatividade de Deus); Complexidade do corpo humano (Sabedoria de Deus); Ar, fotossíntese, lei da gravidade (Cuidado de Deus). O ordinário da vida nos revela quem é Deus (características, vontade, desejo, presença). 

Vendo a ação de Deus no extraordinário da vida (Mt 17:24-27)

Existem situações que o ordinário não basta. São situações limites, onde ocorre o difícil encontro com o impossível. No texto bíblico acima se observa um acontecimento extraordinário. Não é comum pescar um peixe com uma moeda na boca (estáter: moeda de ouro ou prata provavelmente instituída no sistema monetário grego). A bíblia nos mostra diversas situações em que o ordinário não foi suficiente: O mar que se abriu; O fogo que não queimou Sadraque, Mesaque e Abdnego; Daniel na cova dos leões; A idosa grávida (Sara); O homem que não viu a morte (Enoque); etc.
Muitas vezes nós seremos expostos a situações limites, tais como: doença, desemprego, abandono, caos social, corrupção, drogas, morte, pecado etc. Então será preciso lembrar que Deus é maior do que todos esses impossíveis (Ef 3: 20-21). Não é a razão, a lógica, a história, a medicina, a estatística, que pode deter o nosso Deus. Deus não tem compromisso com essas instâncias do saber. Ele faz como quer, a hora que quer e do jeito que quer. O Senhor tem te chamado para experimentar o sobrenatural, o extraordinário, o impossível (Is 43: 1-3). O fato mais extraordinário da história já aconteceu. Deus se fez homem, habitou entre os homens, sofreu, morreu e ressuscitou, e tudo isso para te salvar. Por que então duvidar das demais coisas (Rm 8:31,32)? O extraordinário da vida ocorre para nos lembrar quem nós somos (limitados, impotentes, vulneráveis, fracos, dependentes, carentes).

Se entregue a Jesus e não viva apenas o ordinário da vida, experimente também o extraordinário. Deus quer ser ordinariamente compreendido e extraordinariamente experimentado na relação com seus filhos.

Deus lhe abençoe!

Tentativa humana e a solução de Deus.

No terceiro capítulo do livro de Gênesis está o relato da queda da raça humana. O ser humano que vivia em profundo relacionamento com Deus sofre as conseqüências de sua desobediência. Desafiam a ordem de Deus e descumprem aquilo que Deus havia estabelecido como mandamento. Imediatamente após comerem do fruto, Adão e Eva perceberam que estavam nus e sentindo medo de Deus, se esconderam (v. 10). Mas antes de se esconderem eles coseram folhas de figo para se vestirem (v. 7).
As cintas de folhas de figo do v. 7 eram somente para os quadris. As vestimentas duráveis de Deus (v. 21) se contrastam com a tentativa inadequada de Adão e Eva de enconbrir sua vergonha. A provisão de Deus também implicava a morte de um animal, talvez sugerindo um sacrifício pelo pecado. Enquanto eles buscaram se vestir inapropriadamente de folhas de figo, Deus “soluciona” o problema da nudez com vestes feitas de peles de animais.
O desdobramento da história humana mostra que a lógica continua sendo a mesma. O homem sempre busca formas de resolver os seus problemas. A dor, o sofrimento, a angústia, o pecado, a miséria, o engano, dentre outros problemas humanos, parecem ter sempre a fórmula mágica para serem resolvidos.
 O homem sabe bem confeccionar “roupas de figo”, que até parecem ser de qualidade, mas que são totalmente vulneráveis e extremamente limitadas e passageiras. Somente Deus sabe fazer “as melhores roupas”, aquelas feitas de peles de animais. Em outras palavras, somente Deus tem a solução eterna para os nossos problemas e fracassos. Essa solução se chama Jesus Cristo. A semelhança daquele animal que foi morto para cobrir a vergonha da nudez de Adão e Eva, Jesus Cristo foi morto para cubrir a vergonha de toda a humanidade e reconciliá-la com Deus. Por isso vista-se da melhor roupa, vista-se de Jesus Cristo e experimente a solução de Deus para os percalssos de sua vida.

Deus lhe abençoe!

O Deus dos injustiçados.

O livro de Obadias é um daqueles textos que, apesar de sabermos que estão na Bíblia, não temos a mínima noção do seu conteúdo. É claro que este pode não ser o seu caso, pois como em todas as regras existem sempre as exceções. Mas se por acaso você está no grupo daqueles que não tiveram um contato maior com este livro, chama sua atenção para a riqueza de seu conteúdo e a importância de conhecê-lo. Para a reflexão abaixo, se faz necessário que você leia anteriormente os 21 versículos deste pequeno livreto. O contexto histórico de Obadias se dá em meio à conquista de Judá e destruição de Jerusalém por meio dos Babilônicos. O texto retrata características tremendas do nosso Deus que precisam ser entendidas e observadas. Para isto, convido você para uma breve meditação a respeito destes preceitos.
O texto de Obadias fala de um Deus que pune com severidade o mal. Ele se ira contra aqueles que não agem segundo os seus preceitos. Edom é condenada e discriminada por Deus pelo fato de ter agido contra o seu povo, a nação de Judá. Embora o texto pareça dar respaldo para uma teologia de eleição e favorecimento do povo eleito em detrimento a todos os outros, esta não pode ser a aplicação mais eficaz do texto de Obadias. Este tipo de aplicação nos levaria a favorecer apenas àqueles que parecem ser dignos. Contudo, esta visão nos impossibilitaria de perceber o agir de Deus em lugares que extrapolam os limites do cristianismo. Em outras palavras, o cristão, ao pensar o texto desta forma, ficaria bastante tentado a se colocar na sociedade como o eleito de Deus, tendo o próprio Deus, como o vingador contra todos aqueles que agirem, pensarem ou falarem contra ele.
Mais do que pensar em um Deus vingador, é preciso perceber no texto que Deus é apresentado como alguém que luta pelos oprimidos e que chama a todos para a solidariedade e ajuda mútua. Edom de fato foi condenada, mas principalmente porque não se importou com o sofrimento e necessidade de Judá. Mais do que isto, Edom também causou parte deste sofrimento.
Ao pensar em nossa sociedade, esta mensagem tem um profundo significado. Quantas são as pessoas que estão sofrendo, sendo exploradas, mal-tratadas, discriminadas, assassinadas, abandonadas, escravizadas, roubadas, assim como Judá, e a semelhança de Edom, nós não apenas não nos importamos com todo este sofrimento, como em muitas ocasiões somos a própria causa dele. Assim como Edom, habitamos nas confortáveis e seguras fendas da rocha, as nossas igrejas, enquanto lá fora a Judá de Deus morre desamparada. Não se engane, neste caso, o escolhido de Deus, ou seja, Judá, não são os habitantes das fendas, mas  todo aquele que precisa de amparo.
É necessário sermos neste tempo uma geração que desafia o mal e o combate. Não se trata apenas de um mal sobrenatural e transcendente. Trata-se do mal que nasce no coração humano, e que é capaz de desumanizar aqueles que estão ao seu redor. O mal que nasce no coração de muitos governantes, de muitos sistemas políticos opressores, de muitos pais de família, de muitos religiosos e igrejas, que pensam apenas em si e não percebem o sofrimento e necessidade alheia. Este é um dos males que mais tem assolado as igrejas. Pensamos de maneira tão focada nos limites da igreja que não somos capazes de perceber que lá fora existe vida. Vida importante. Vida que custou o sangue de Cristo e que também é merecedora do amor de Deus. O que é o cristão para ter a pretensão de dizer a Deus quem Ele deve amar? Se de fato conhecemos o amor de Deus, temos que anuncia-lo a todos indistintamente. Não apenas com palavras bonitas e previamente preparadas, mas, sobretudo, com atitudes.

Deus lhe abençoe!

O mundo clama por justiça!

Nestes dias tenho pensado sobre algumas notícias que foram manchetes nos últimos anos. Coisas terríveis têm acontecido ao nosso redor todos os dias. O mundo não anda bem...

Vivemos em um mundo onde ter vale mais do que ser.
Vivemos em mundo onde quem Joga bola bem é rei; onde quem canta, e não tão bem assim, também é rei; onde rainha é uma loira sem nada na cabeça.
Vivemos em um mundo onde diretor de universidade compra lixeira que vale 1.000,00 Reais.
Vivemos em um mundo onde os pobres da cidade comerão o lixo da lixeira de 1.000,00 Reais.
Vivemos em um mundo onde em banqueiros não se pode por nem algemas.
Vivemos em um mundo onde meninas adolescentes podem ser colocadas na mesma cela de bandidos homens.
Vivemos em um mundo onde índios morrem de fome por não terem o que comer.
Vivemos em um mundo onde a comida para saciar a fome dos índios, apodrece no depósito por não ter quem a entregue.
Vivemos em um mundo onde filha mata os pais, a facadas, com a ajuda do namorado.
Vivemos em um mundo onde pai mata a filha, jogando-a pela janela, com a ajuda da amada.
Vivemos em um mundo onde juiz acusado e condenado cumpre pena em um dos produtos do seu roubo, a sua casa.
Vivemos em um mundo onde professores estudam anos e ganham uma miséria, enquanto pessoas desajustadas, após três meses em uma casa, ganham um milhão de reais.

Vivemos em um mundo de injustiças, e em meio a estas injustiças Deus está nos dizendo:
“Bem aventurado aqueles que têm fome e sede de justiça, por que serão fartos” (Mateus 5:6).

Como cristãos somos chamados para promovermos e vivermos a justiça de Deus neste mundo. Mas para isso acontecer temos que entender algumas coisas. Em primeiro lugar a justiça de Deus não pode ser encarada como uma escolha, opção ou intenção. Ela precisa ser uma necessidade. Quando penso nas palavras FOME E SEDE, só consigo imaginar uma necessidade. Nunca vi alguém com sede perguntar se a água tem gás ou não; se é mineral ou “torneiral”. A água que sacia a sede não é questionada e sim consumida. Da mesma forma a Justiça Divina, não se deve ser questionada e sim vivida.

Outra coisa essencial para promovermos a Justiça de Deus é compreendê-la. Parece uma tarefa simples, mas não é. Especialmente para cristãos que têm vivido um evangelho estranho e defeituoso: o evangelho de troca, do escambo. Para estes, certamente é muito difícil entender que a Justiça de Deus não se baseia em ações humanas, mas exclusivamente em sua graça. Afinal, nada que pudéssemos fazer nos tornaria merecedores do amor de Deus. Ele nos amou primeiro, “Mas Deus prova seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5:8).

À medida que compreendemos que somos justificados imerecidamente, não podemos incorrer no risco de acharmos que as nossas ações não têm importância, afinal seremos abençoados independente delas: “A graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens; ensinando-nos que, renunciando as iniqüidades e concupsciências mundanas, vivemos neste presente século sóbria, justa e piamente” (Tito 2:11-13). Ao passo que nos tornamos conhecedores da graça Divina, não conseguimos mais viver de outra maneira se não com um ardente desejo de agradar a Deus.

Deus se agrada de sua justiça. A justiça que se importa com a pessoa em todas as dimensões. Como promotores desta justiça, temos que estar atentos a este princípio. Quantas vezes os nossos olhos são capazes de perceber o carro importado, a casa bonita e a roupa na vitrine, mas não percebe o morador de rua, o drogado, a prostituta. Gastamos milhares de reais em reformas e construções de templos-palácios, enquanto na porta desses templos pessoas morrem por não terem o que comer. Oferecemos muito para aqueles que têm muito a oferecer e nada para quem não tem nada a oferecer. Quem conhece a graça de Deus e sua justiça, verdadeiramente não agirá de tal forma, mas cumprirá o que diz o livro de Isaias, “O Espírito do Senhor está sobre mim, por que o Senhor me ungiu para pregar boas novas aos quebrantados, enviou-me a curar quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados; apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os que choram e a pôr sobre os que em Sião estão de luto uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para sua Glória” (Isaias 61: 1-3).

Deus lhe abençoe!

Assim caminha a humanidade...

Assim caminha a humanidade...
Lulu Santos disse que a humanidade caminha com passos de formiga e sem vontade. Obviamente essa simples canção não responde realmente à maneira que a humanidade tem caminhado. Então surge a pergunta: Como caminha a humanidade? Creio que podemos dar algumas respostas a essa pergunta, com algumas características dessa humanidade: Individualismo, consumismo (A ambientalista Adriana Ramos afirma que para estender os padrões de consumo de países desenvolvidos a todos os habitantes do planeta, seria necessário o triplo de recursos naturais existentes na Terra, ou seja, três Terras), acúmulo (o suficiente nunca é o bastante), exploração (tudo que está ao meu redor está a meu dispor), crises econômicas, crises sociais... Diante dessa realidade o povo de Deus é chamado a não se conformar com este mundo e, portanto, propor e viver a vontade de Deus, a partir de uma mente renovada (Rm 12:2). É possível propor uma reflexão teológica que nos ajude a superar esse caminho de morte e destruição que nos encontramos a partir de alguns conceitos:
1) Teologia do contentamento: O mercado nos diz que a alegria está no consumir. O valor das pessoas está no ter. O contentamento é muito relativo e passageiro por que sempre será esmagado pela sede de ter algo que ainda não se tem. Porém, a Palavra do Senhor nos diz que o contentamento é um aprendizado e que é fruto do Espírito. (Ler: Filipenses 4:11-13)
2) Teologia da suficiência: O acúmulo de uns resultará na carência de outros. Enquanto uns enriquecem, muitos outros empobrecem. Enquanto se desperdiça comida em restaurantes e casas brasileiras, muitas outras casas não têm o mínimo necessário. Devemos buscar o suficiente e apenas o suficiente. A Terra pede isso, o próximo pede isso, Deus pede isso de nós. Quantas casas você tem? Quantos carros, sapatos, calças, comida, TVs, celulares está sob seu domínio? (Ler: 1 Timóteo 6:6-10; Isaías 5:8)
3) Teologia da partilha: É apenas o suficiente o que você tem? Se não, saiba que está em suas mãos aquilo que poderia saciar um faminto, um desabrigado, um despido, um descalçado, um desconectado, um desinformado etc. Essa tarefa será mais facilmente executada se levarmos em conta de que nada que está em nossas mãos é propriamente nosso. Somos apenas mordomos do Senhor, e será que Ele quer realmente que você acumule tanto? (Ler: Isaías 58:7)         
4) Teologia da integração: Somos capazes de olhar para o outro, ser humano, animal ou vegetal como um produto a ser explorado. Esquecemo-nos que a vida é um jogo de relações. Somos dependentes das árvores, dos rios, do ar, da terra, dos animais, uns dos outros. É hora de frear a morte e promover a vida, seja ela de que ordem for. É hora de promover uma teologia da integração, que permite um olhar de amor, fraternidade e solidariedade, aos animais, as florestas, aos seres humanos, ao meio ambiente como um todo, pois isso é garantir a própria vida. (Ler: Salmo 24:1,2)

Se Lulu Santos diz que a humanidade caminha com passos de formiga e sem vontade, eu diria o contrário: a humanidade caminha com passos de guepardo com uma vontade estranha de auto-destruição. Se nós aprendermos a nos contentar com o que temos, a buscar viver apenas com o suficiente, a partilhar com aqueles que têm carências e a buscar uma verdadeira integração com tudo e com todos, certamente viveremos em um mundo melhor e mais garantidor da vida. Sei que sozinho não podemos nada, mas quem disse que estamos sozinhos? Olhe para o lado e veja seu irmão que também está disposto a ajudar. Olhe, sobretudo para Deus, pois Ele jamais te abandonará nessa caminhada.

Deus lhe abençoe!