quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Espetacularmente simples

Jesus nasceu há aproximadamente 2010 anos atrás. A história da humanidade diz que esse acontecimento mudou o curso do mundo. Um exemplo disso é o fato de que o próprio tempo passou a ser contado em antes e depois de Cristo. Nesses dias em que relembramos esse fato vemos muita gente comemorando, comprando, viajando, enfeitando ruas e casas, apresentando peças teatrais e corais, dentre outras coisas. O clima de natal é gostoso e as pessoas festejam mesmo sem saber, em alguns casos, a verdadeira razão pela qual estão fazendo festa. Jesus nasceu, mas e você, o que tem a ver com isso?

A resposta a pergunta acima é simples: você tem tudo a ver com o nascimento de Jesus. O Senhor nasceu por causa da humanidade e em favor dela. O evangelho de Lucas diz que os pastores ouviram do anjo que o menino que nascera, ou seja, Cristo, é o Salvador e Senhor (Lc 2:11). Então é isso, Jesus nasceu para ser Senhor e Salvador da humanidade, e você faz parte dessa humanidade. Mas será realmente que você tem Jesus como Senhor e Salvador da sua vida? Se a resposta é não, entregue sua vida imediatamente a Ele.

Que Jesus nasceu para ser Senhor e Salvador muitos já sabem. Contudo vale destacar que Jesus assumiu algumas responsabilidades no cumprimento dessa missão. Gostaria que você lesse Hebreus 1:1-4, pois esse texto nos aponta algumas verdades incríveis acerca de Jesus.

1) Jesus nasceu para ser expressão máxima da Palavra de Deus;
2) Jesus nasceu para revelar que é herdeiro de todas as coisas;
3) Jesus nasceu para afirmar que tudo que existe foi criado por Ele;
4) Jesus nasceu para revelar a glória de Deus;
5) Jesus nasceu para que a humanidade visse a expressão exata de Deus;
6) Jesus nasceu para evidenciar que sua palavra é poderosa;
7) Jesus nasceu para purificar os seres humanos de seus pecados;
8) Jesus nasceu para lembrar-nos que a Ele está reservado o trono;
9) Jesus nasceu para que não tivéssemos dúvidas de que Ele é superior a tudo mais que existe.

Todas essas afirmações acerca de Jesus podem não ser tão simples de se entender. Isso porque a profundidade teológica delas é muito grande. A primeira vista entendemos logo o que elas querem dizer, mas quando analisamos cuidadosamente cada uma delas vemos que são muito densas. Apesar dessa complexidade quero ousar dizer que o nascimento de Jesus é ESPETACULARMENTE SIMPLES. A simplicidade está no fato de que todas as afirmações feitas sobre o nascimento de Jesus apontam para a verdade mais fundamental da vida humana: Jesus nos ama tanto a ponto de deixar a glória celeste, para nascer em corpo humano limitado e sofredor, sem direito a nenhum tipo de glória, para crescer e conviver com criaturas rebeldes a fim de ensiná-las o caminho que conduz a Deus. Em outras palavras, Jesus nasceu porque nos ama, deseja se relacionar conosco e quer nos salvar da perdição. Por isso, meu amigo, entregue sua a vida a Jesus, deixe-o nascer em seu coração, e se surpreenda com essa mensagem espetacularmente simples: Jesus nasceu para ser Senhor e Salvador de sua vida.

Deus lhe abençoe!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Minhas bem aventuranças (uma homenagem aos meus colegas formandos)

Bem aventurado sou por tempo tão ricamente vivido.
Bem aventurado sou pela constatação de que o tempo é transcendente, pois quatro anos alimentarão toda uma vida.
Bem aventurado sou pelos percalços e desventuras da caminhada que me fizeram crescer e ser diferente.
Bem aventurado sou pelas alegrias vividas que foram traduzidas por inúmeras e incontáveis gargalhadas.
Bem aventurado sou por perceber que tão breve tempo e tão limitado espaço não podem aprisionar minhas idéias e sentimentos, que de maneira incontrolável, me seguirão por toda a vida.
Bem aventurado sou porque pude perceber a história humana, de gênesis a apocalipse, do início ao fim, tendo os olhos clareados para melhor enxergar os detalhes.
Bem aventurado sou pelas dúvidas e questionamentos que alimentam o meu ser e não me deixam tomar a forma desumana e anti-divina, tão presentes nesse tempo.
Bem aventurado sou pelas certezas e confirmações que me fazem acreditar que a plenitude não é uma utopia, mas sim uma realidade possível.
Bem aventurado sou porque aprendi que teologia não pode ser um mero discurso, mas sim uma caminhada.
Bem aventurado sou porque nessa caminhada derrapei no hebraico, escorreguei no grego, e então descobri que existem coisas ainda mais difíceis que o português.
Bem aventurado sou por todas as leituras, fichamentos e resenhas que me fizeram mais organizado e diligente com tão sublime atividade, o estudo.
Bem aventurado sou porque esse sonho não sonhei só, e a caminhada foi facilitada por pessoas incríveis.
Bem aventurado sou pela graciosa companhia de verdadeiros mestres que foram parteiros do conhecimento com louvável capacidade.
Bem aventurado sou pelo Américo, Lilian, Douglas, Gustavo, Marcelo, Givaldo, Marinete, Maria Marques, Eugenio, Kleiton, Marcos, Doraci, José Augusto, Thimoty, Armindo, Ronel, Alice, mestres inesquecíveis que estão por aí, que estão por aqui, facilitando o caminho.
Bem aventurado sou pelos companheiros de jornada que acrescentaram valores incríveis a minha vida, qualificando-a sobremaneira.
Bem aventurado sou pela inteligência de uma exemplar estudante chamada Edileuza.
Bem aventurado sou pela temperança de um pacato cidadão chamado Jonair.
Bem aventurado sou pelo desprendimento de um jovem audacioso chamado Renan.
Bem aventurado sou pelo compromisso de um exemplo de dedicação chamado Leonildo.
Bem aventurado sou pela alegria de uma mulher extrovertida chamada Elaine.
Bem aventurado sou pela simpatia de um misterioso rapaz chamado Henrique.
Bem aventurado sou pela seriedade de um servo fiel chamado Ênio.
Bem aventurado sou pela espontaneidade de uma jovem inconformada chamada Débora.
Bem aventurado sou pela ensinabilidade de um pensador chamado Moisés.
Bem aventurado sou pela grandeza de uma fiel testemunha de Cristo chamado Carlos.
Bem aventurado sou por aqueles que ficaram no caminho, Lucas, Vanderley, Esdras, Maria, Rose, Zé Paulo, Elenita, Vera, Mariluce, Ronivaldo, Elias, que apesar de não terem concluído o caminho conosco jamais se ausentaram dos nossos corações.
Bem aventurado sou por este caminho de encontros e desencontros, de certezas e crises, de construções e desconstruções, que me fizeram crescer.
Bem aventurado sou porque toda esta história somente foi possível porque nosso Deus nos susteve, fortalecendo-nos e renovando-nos as forças.
Bem aventurado sou por ser Leandro Azambuja Barbosa, Bacharel em Teologia pela Faculdade Teológica Batista Ana Wollerman, turma 2011. 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Feliz dia da Bíblia!


No segundo domingo de dezembro, portanto neste domingo, é o dia reservado para celebrarmos a Bíblia. É uma data interessante, pois nos faz lembrar o quanto esse livro é especial. A Bíblia contou com aproximadamente 40 autores num processo de escrita que durou cerca de 50 gerações. No Antigo Testamento temos 39 livros tendo sido originalmente escritos em hebraico e uma pequena parte em aramaico. No Novo Testamento temos 27 livros e cartas sendo estes escritos em grego. A Bíblia, contudo, não é fantástica apenas por conta do processo de escrita. Ela é fantástica, sobretudo pelo seu conteúdo, a PALAVRA DE DEUS.

Neste dia da Bíblia vale uma reflexão: qual a importância que ela tem em sua vida? O que ela representa para você? Nós costumamos dizer que a Bíblia é alimento para as nossas almas, e assim como precisamos de comida para manter-nos saudáveis também precisamos do alimento espiritual, a Bíblia, para nos mantermos espiritualmente saudáveis, mas será mesmo que isso é verdade? Quanto tempo e com que freqüência você se dedica, não apenas a ler a Bíblia, mas também em meditar naquilo que ela diz?

O salmista Asafe, como um porta-voz de Deus, certa vez disse: “Escutai, povo meu, a minha lei; prestai ouvidos às palavras da minha boca” (Sl 78:1). Tenho certeza que esse verso pode ser respondido positivamente por cada um de nós quando assumirmos uma postura de zelo e amor pela Bíblia. Em outras palavras, nela a gente pode escutar a lei do Senhor e também ouvir as palavras proferidas pela boca de Deus.

Entendo que Asafe nos convida a assumirmos duas posturas. A primeira é escutarmos a Lei do Senhor. Nós temos que aproveitar todas as oportunidades possíveis para que isso ocorra. Participe com freqüência dos cultos que nossa igreja promove, evite faltar na escola bíblica dominical, promova um ambiente doméstico em que você e sua família se reunirão constante e sistematicamente para estudar a Bíblia, leve sua Bíblia sempre com você e aproveite cada instante possível para folhear suas páginas. Existe urgência em se escutar a Lei do Senhor e você precisa se esforçar para consumi-la o máximo que conseguir, pois neste caso nunca haverá overdose.

A segunda postura que Asafe nos desafia a assumirmos é que, além de escutarmos a Lei do Senhor, devemos prestar ouvidos às palavras que saem da boca de Deus. Eu creio que o que está em jogo aqui é que não basta ler e escutar o que a Bíblia tem a dizer, é preciso colocar em prática o que ela diz. É preciso dar ouvidos, ou seja, prestar atenção cuidadosa para então assumir a vida que nela se explicita. De fato nas páginas bíblicas não encontramos um romance policial ou uma história impessoal que não nos convida a nenhum tipo de atitude. Muito pelo contrário, na Bíblia, a cada palavra, a cada verso, a cada capítulo, a cada livro, somos desafiados a dar uma resposta e a tomarmos uma atitude favorável a vontade de Deus. Tem muita gente que já leu a Bíblia de capa a capa algumas vezes, mas que ainda não consegue viver quase nada do que ela diz.  Por isso, meu irmão, não basta ler a Bíblia, é preciso vivê-la.

Vamos celebrar a Bíblia neste dia. Vamos comemorar o fato de que Deus quis que sua Palavra tomasse forma escrita. Vamos agradecer a Deus por que essa comemoração é possível, pois moramos em um país sem nenhum impeditivo legal à leitura bíblica. Vamos comemorar tudo isso, mas antes, devemos analisar como anda nossa experiência com esse livro sagrado. Não menospreze a Palavra de Deus e priorize-a em sua vida. No mais, um feliz dia da Bíblia para você, mas lembre-se: você só tem algo a comemorar se ela faz parte de sua vida!     
Deus lhe abençoe!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Última palavra!

Tivemos na última quarta feira o culto de ação de graças aqui em nossa igreja. Foi um momento gostoso onde pudemos relembrar o que Deus fez ao longo do ano. Sem dúvida muitos são os motivos de gratidão a Deus. Incansavelmente o Senhor tem nos perseguido com suas bênçãos e cuidado. Durante o culto fomos desafiados a agradecer por aquilo que pedimos e o Senhor nos atendeu, por aquilo que pedimos e o Senhor não atendeu e por aquilo que não pedimos e mesmo assim o Senhor fez. Esse foi um desafio muito interessante.

Normalmente a gente se apresenta diante de Deus com uma lista pronta do que Ele precisa fazer. É como se Deus fosse nosso servo que deve fazer exatamente como estamos mandando, ou melhor, pedindo. Mas de repente vem Deus, esse “servo abusado”, e diz que não vai fazer o que pedimos ou mesmo que vai fazer coisas que nem ao menos pedimos. Por que Ele age assim? A resposta mais óbvia a essa pergunta é que de servo Deus não tem nada, pois Ele é plenamente o Senhor de toda a história (Sl 83:18). Por isso Deus não é mandado por ninguém e o que faz, faz de maneira totalmente livre e espontânea. Então, você está disposto a agradecer pelas vezes que Deus tascou um não em você e também por aquelas coisas que você nem pediu, mas Ele fez?

Há onze anos eu e minha esposa temos orado ao Senhor pedindo que Ele nos abençoasse com filhos. Em dois momentos a resposta das nossas orações parecia ser sim, porém em ambas estávamos enganados. Durante esse período o que mais ouvimos do Senhor foi a palavra não. Na maioria das vezes ou não entendemos ou não quisemos entender, afinal o não é sempre muito dolorido. Então chegou 2011, e o Senhor nos surpreendeu novamente, resolveu fazer o que não estávamos pedindo. É verdade que a gente estava no cadastro de adoção, mas esse quase nunca era um motivo de nossas orações. Então Deus nos fez pais de maneira totalmente inesperada e fantástica, nos deu nossos filhos amados Lucas e Fernanda. Nesse processo aprendemos duas coisas: a última palavra é sempre de Deus e Ele faz como quer.

Em Jr 29:11 vemos que Deus não negocia o que pensa e estabelece para nossas vidas com ninguém, pois é Ele quem sabe os pensamentos que tem a nosso respeito. Dessa forma percebemos que o Senhor age como quer e ninguém pode influenciá-lo a proceder diferentemente do que havia estabelecido. Isso é fantástico, pois me leva a pensar que Deus não mudará sua atitude ao sabor das circunstâncias. Isso me faz confiante pois tenho certeza que Deus não é um negociante a procura de melhores ofertas ou mesmo um juiz inquisidor a procura de ser convencido de como deve agir. O Senhor é soberano e sua ação é indiscutivelmente autônoma.

Aprendemos também no texto de Jeremias que a última palavra é sempre do Senhor. Muitas são as afirmações que são feitas a nosso respeito pelas pessoas ao nosso redor. Mas será que todas elas combinam com as que são feitas pelo Senhor? As pessoas dizem: sua doença não tem cura; seu filho não tem jeito; seu marido é um caso perdido; você nunca vai conseguir; isso não vai dar certo etc. Diante dessas palavras você precisa se lembrar que elas não têm caráter definitivo sobre você e, portanto, devem ser minimizadas. A última palavra é do Senhor e, mesmo que tudo ao redor diga que não tem jeito, se o Senhor disser que tem, quem o impedirá de agir?

Por fim os pensamentos do Senhor são de paz e não de mal e visam nos levar a alcançar o fim que desejamos. O texto não fala de circunstâncias específicas ou mesmo de coisas e bens, ou seja, o fim desejado pode não ser a cura da doença ou a casa nova. O fim fala sobre aquilo que é fundamental, que é finalidade, que é indispensável. Nesse sentido os pensamentos do Senhor a nosso respeito visam cumprir uma finalidade principal: andar em sua presença experimentando a vida que somente nele se encontra. Vida de paz, esperança e alegria. Vida que não se vive só, pois o Senhor sempre estará conosco e fará com que vivamos em comunidade. A finalidade dos pensamentos a nosso respeito do Senhor visa trazer uma vida de salvação. Por isso, hoje mesmo entregue sua vida ao Senhor, ouça o que ele tem a dizer sobre você e experimente a maravilhosa vida que Deus tem para ti.
 Deus lhe abençoe!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A maravilhosa Graça de Deus

Neste último final de semana preguei em minha Igreja sobre a Graça de Deus. Esse tema tem rondado minhas reflexões teológicas nesses últimos dias com maior frequencia. Gostaria então de compartilhar com vocês as seis características da graça de Deus baseadas na carta aos Romanos que trabalhamos no sermão :

1° A Graça de Deus transforma nossa realidade (Rm 6:1-4)
Aonde a graça chega uma transformação ocorre. A graça transforma nossa mente e coração. A graça transforma nossas intenções e ações. A graça transforma nossos pensamentos e sentimentos. A graça transforma nossa forma e essência. Com a graça de Deus a vida nunca mais será a mesma.
2° A Graça de Deus nos limpa do pecado (Rm 6:14)
Éramos sujos e Deus nos limpou. Éramos escravos do pecado e o Senhor nos libertou. O Senhor lavou as nossas roupas, limpou nosso interior, nos fez cheirosos, penteou nosso cabelo, fez alguns reparos em nossa fisionomia, e depois disse: você nasceu de novo, as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo.
3° A Graça de Deus nivela os seres humanos (Rm 10:11-12)
Judeu/grego – branco/negro – alto/baixo – homem/mulher – rico/pobre – pastor/membro
4° A Graça de Deus escancara o amor do Pai, do Filho e do Espírito
- pela graça o Pai entregou seu Filho
- pela graça Jesus sujeitou-se a cruz
- pela graça o Espírito Santo sujeitou-se a habitar em habitação tão precária (somos imperfeitos e pecadores; não sou grande coisa, mas sei que sou templo do Espírito)
5° A Graça de Deus é suficiente (Rm 5:18-21)
Com a graça de Deus não precisamos de mais nada, pois ela é suficiente. É suficiente para os meus pecados, medos, incertezas, inseguranças, incapacidade etc. A graça de Deus é suficiente para detonar com o inimigo, vencer a morte e nos trazer a vida.
6° A Graça de Deus nos traz salvação (Rm 3:21-24)
Pela graça somos salvos. Devemos nos entregar completamente a este Deus gracioso e experimentar a vida nova que ele tem para nós. Isso é para todos. Existem cristãos que ainda precisam ser salvos de seus preconceitos, legalismo e farisaísmo. Somente a graça de Deus tem a salvação para esses. Contudo, existem pagãos que precisam ser salvos de seu distanciamento de Deus e falta de esperança. Somente a graça de Deus tem a salvação para esses. Entregue sua vida ao Senhor Jesus, experimente sua graça, ande em novidade de vida, seja salvo de sua desumanidade, e espere confiantemente os céus se abrirem para você. E quando chegar lá possivelmente você ouvirá Deus dizer: seja bem vindo pois a minha graça te trouxe até aqui!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Superando o evangelho capitalista

O capitalismo é um modo de organização social-político em que o capital e o acesso a ele é fundamental. Nesse modo de vida a propriedade privada é valorizada. A vida se organiza basicamente em: o que tenho a receber (crédito) e o que tenho a pagar (débito). Fundamentalmente, para essa sociedade, os indivíduos terão tanto mais valor quanto o crédito superar o débito.

Pode-se dizer que essa visão influencia nossas relações, como por exemplo, namoro, amizades etc. Fazemos uma espécie de balança comercial e priorizamos aqueles que estão em superávit. A partir daquilo que julgamos ser crédito e débito passamos a nos relacionar. É bem verdade que isso não ocorre com todos, mas é a realidade de muitas pessoas atualmente. Esse modo de viver acaba gerando influências também dentro das relações no contexto da igreja e até mesmo com Deus.

A Bíblia fala que certa vez uma mulher foi pega em adultério (Jo 8:1-11). Nesse contexto podemos ver um embrião daquilo que temos dito até aqui. As pessoas eram julgadas por seus atos e condenadas, caso o débito prevalecesse. Foi o que aconteceu com aquela mulher, por estar em adultério ela era uma profunda devedora e por isso deveria ser condenada. Pensa-se que quando o débito prevalece Deus se levanta rapidamente para castigar o devedor. Por vezes alguns se colocam na condição de castigadores de Deus, como era o caso dos escribas e fariseus.

Por outro lado, o crédito pode prevalecer. Certa vez um jovem rico chegou diante de Jesus achando-se em crédito por obedecer aos mandamentos (Lc 18:18-21). Percebendo o que realmente ele queria Jesus tratou logo de dizer: “só Deus é bom, e mais ninguém”. Talvez na mente dele estivesse a idéia de muitos crentes do séc. XXI, “se estiver com crédito Deus tem que me abençoar”. Por vezes nos colocamos na posição de dignos daquilo que Deus faz.

Mas como Deus nos trata? Será que Ele leva em conta os créditos ou os débitos e realiza sua balança comercial em relação a nós? A Bíblia conta uma história muito conhecida de dois filhos (Lc 15:11-32) e com ambos podemos entender como Deus nos trata. Com o pródigo aprendemos que Deus não contabiliza os débitos. O Pai não levou em conta a vida desregrada do filho quando o recebeu de volta. Deus não nos olha por meio da crítica, Seu olhar é sempre compassivo. As mudanças só podem ocorrer por que Seu amor é sempre o primeiro passo (Rm 5:8). Com o filho que ficou em casa aprendemos que Deus não contabiliza os créditos. Diante de Deus não são os créditos que vão fazer a diferença. Por isso, não devemos nos achar bons o bastante a ponto de merecermos o que vem de Deus.

Mas, afinal, como Deus nos mede? Deus nos mede exclusivamente por sua GRAÇA (Ef 2:8-10). Não existe crédito e nem débito, existe GRAÇA. Não existe balança comercial, existe “balança gracial”. Em Jesus aprendemos que Deus derrama sua graça, seu favor imerecido, tanto para o débito quanto para o crédito que possa existir em nós. Experimente a graça de Deus e sua vida nunca mais será a mesma!

Deus lhe abençoe!

“Quanto vale ou é por quilo?”

Dia desses assisti “Quanto vale ou é por quilo?”. O filme é muito interessante por tratar de assuntos que permearam nossa história e que ainda estão presentes na atualidade. O enredo traz uma história repugnante à medida que escancara a corrupção e o desrespeito com o semelhante, no sentido mais grave que se possa imaginar.

Sempre que assisto algo sobre o período de nossa história em que havia escravidão eu fico a pensar: como pode um ser humano pensar que outro ser humano pode tornar-se sua propriedade? Como pode alguém conceber a idéia de tratar outro como um objeto ou animal apenas por ser negro? Essa história é revoltante, pois evidencia o cúmulo da maldade humana e do desrespeito. De todos os males que se possa fazer contra alguém, talvez seja a escravidão o maior de todos eles.

Por outro lado, a corrupção daqueles que supostamente tem intenção de ajudar também é de revoltar. O filme mostra uma das características marcantes do nosso tempo, a centralidade do indivíduo em torno de si mesmo. O que prevalece é o desejo de se beneficiar e de enriquecer, à custa de todos que estão ao seu redor. Por isso, várias entidades que parecem se importar com as pessoas menos favorecidos, no final das contas respondem a interesses pessoais.

         É inegável que vivemos em um mundo injusto e desigual, algo que o filme também aborda. Muitas vezes julgamos os bandidos, usuários de drogas e delinquentes juvenis, dizendo que eles não poderiam ter tal atitude. Porém, poucas vezes perguntamos pelas origens. Por que tal pessoa agiu ou age dessa maneira? É mais fácil condenar o ato do que propor caminhos que promovam oportunidades para que as coisas sejam diferentes. Concluo com uma afirmação chocante do personagem de Lázaro Ramos que deveria levar-nos a refletir. Ele disse algo mais ou menos assim: “O dinheiro que recebemos por esse seqüestro é a nossa redistribuição de renda”.


Deus lhe abençoe!

Deus não quer os nossos cultos?

Às vezes leio alguns textos da Bíblia e fico preocupado. Começo a refletir sobre minha vida e sobre a vida cristã que vivemos e chego à conclusão: este texto também serve para nós. Estas críticas duras que o povo recebeu, nós também merecemos. Percebo que não há muita diferença entre eles e nós. Anos se acumularam na história, a cultura e o contexto são outros, mas em alguns aspectos nada nos difere de algumas comunidades bíblicas. Tal qual eles, nós somos alvos das mesmas palavras de desaprovação por parte do Senhor.

Então, vamos a um destes textos. Peço que você leia Isaías 1:10-17. Neste texto, a reprovação de Deus é muito severa. Através da boca do profeta, o Senhor diz que rejeitaria quase tudo o que eles estão fazendo em suas vidas religiosas. Por exemplo, Deus diz que não se agradava de seus sacrifícios, dos seus holocaustos, dos seus ajuntamentos solenes (cultos), de suas ofertas, de suas festas e de suas orações. Para o religioso deste tempo, diante destas reprovações do Senhor, cabe a pergunta: o que sobrou da relação deles com Deus? Deus disse: “Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue.” (Is 1:15)

Mas por que será que o Senhor estava tão “irritado” com eles? Qual teria sido a causa de tamanha indignação daquele que é tardio em irar-se? Será que o culto prestado a Deus não era suficiente para agradá-lo? Deus estava irritado porque ele não queria apenas um culto, um ajuntamento de hipócritas. Deus queria vida, mais do que regras. Deus queria amor, mais do que leis. Deus queria compromisso, mais do que obrigação. Deus queria relacionamento profundo, mais do que meras “visitinhas”. Deus queria transformação, mais do que encenação. Deus queria seres humanos, mais do que religiosos. Todo este querer de Deus é traduzido nas palavras do verso 17. Para Deus não adiantava um belo culto no lugar santíssimo, se no dia-a-dia o bem era desprezado, a justiça ignorada, o opressor apoiado, o órfão desamparado e a viúva abandonada.

Seguindo esta linha de raciocínio de Deus, o que o Senhor diria de nossas reuniões? Dos cultos que “oferecemos” a Ele? Das nossas ofertas e dízimos? Das nossas inúmeras atividades feitas em Seu nome? Dos inúmeros talentos que dominicalmente se apresentam diante do Senhor? Todas estas coisas são necessárias e não devem ser deixadas de lado. Contudo, se este culto e oferta a Deus não for acompanhado de uma vida comprometida com os valores do Reino, certamente o Senhor dirá a nós, assim como disse aos judeus do tempo de Isaías: “não posso suportar iniqüidade associada ao ajuntamento solene”.

Mais quem são os órfãos e viúvas do nosso tempo? Quem são aqueles que precisam ser alcançados pela justiça? Onde está o opressor? Infelizmente, o opressor, as viúvas e órfãos, muitas vezes, estão lado a lado assentadas nos bancos de nossas igrejas. Quantas vezes o opressor se levanta na figura do patrão que não paga devidamente os direitos trabalhistas de seu funcionário; na figura do patrão que explora os funcionários com baixíssimos salários, quando se pode e se sabe que o salário deveria ser maior; na omissão de socorro a pessoas sabidamente injustiçadas, por conta de uma falsa idéia de que aquele não é um problema meu; na figura do contratante de uma mão de obra que quer levar “vantagem” a todo custo em cima do serviço prestado; na figura do explorador da ingenuidade alheia. Portanto, irmãos, que continuemos a cultuar a Deus, mas, que, sobretudo, sejamos comprometidos com os valores de Deus, quer dentro da igreja, quer fora dela!

Deus lhe abençoe!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

No esconderijo do Altíssimo

O salmo 91 é um dos textos bíblicos mais lidos. É comum encontrarmos em casas e escritórios a Bíblia aberta justamente nas páginas referentes a este texto. Muitos utilizam o salmo em orações e, em muitos casos, esse salmo serve com uma espécie de amuleto. A despeito de algumas dessas práticas, algumas por sinal com motivações equivocadas, vale dizer que o conteúdo do salmo 91 é maravilhoso.
O salmista diz que em meio ao caos, ao desespero, a luta, a guerra, ao tormento, existe um lugar seguro para descanso. Trata-se de um esconderijo onde se pode encontrar segurança. Esse esconderijo chama-se Deus. No esconderijo do Altíssimo encontramos paz e segurança. Nossa atitude deve ser, então, confessar que somente o Senhor é nosso refúgio. Isso se dá mediante um entregar total da vida a Deus e um abrigar-se nesse esconderijo.
Quando estamos abrigados em Deus nos sentimos protegidos e seguros. As lutas podem ser muitas, mas sabemos bem que o esconderijo é mais forte do que todas elas. Essa proteção transmite a confiança de que a gente não deve desistir. Por mais vorazes que sejam as armas e armadilhas contra nós não nos desesperaremos, pois Deus é o nosso esconderijo, o nosso porto seguro.
A segurança que esse esconderijo nos transmite é tanta que é possível até descansar em meio à luta. É como se você estivesse em um abrigo e lá fora houvesse uma grande tempestade, com muito vento e trovões, e mesmo assim conseguisse deitar e dormir. No esconderijo do Altíssimo acontece algo semelhante. Pode estar ocorrendo a tempestade que for, a guerra que for, se estamos no esconderijo do Altíssimo, sabemos que estamos seguros e que, portanto, podemos descansar tranquilamente. Não há temor e insegurança, pois sentimos que as asas do Senhor nos cobrem e nos livra do mal. É assim mesmo, aquele que está à sombra do Onipotente é indiferente às lutas que se apresentam a ele. Quando o inimigo se levanta, as flechas são lançadas, a peste se propaga, o caçador prepara armadilha, aquele que habita no esconderijo do Altíssimo não está nem aí, o que ele faz mesmo é deitar e descansar à sombra do Onipotente.
Quando nos entregamos a Deus e buscamos refúgio em seu esconderijo Ele nos livra e nos põe a salvo das nossas batalhas. Isso não significa que não enfrentaremos problemas. Significa antes que em meio as nossas angústias Deus estará conosco a fim de nos livrar e glorificar, sendo que nossas súplicas serão respondidas. O Senhor ainda promete que Ele vai nos saciar com longevidade, ou seja, às lutas temporárias dessa vida em nada se comparam com o abrigo eterno preparado por Deus mediante sua salvação. Eu não sei por onde você anda e nem mesmo onde você tem se abrigado, mas hoje eu te desafio a abrigar-se no esconderijo do Altíssimo entregando-se totalmente a Ele, e desta forma você encontrará segurança, proteção, descanso e salvação.

Deu lhe abençoe!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Um outro tipo de nóia

Existem muitas coisas que provocam dependência no ser humano o levando ao estágio de viciado. O vício se caracteriza pela total submissão da pessoa em relação ao objeto de sua dependência. Ele se dá em diferentes níveis. É claro que o vício a cocaína é muito mais letal que o da coca-cola. Mas a grande questão não é o estrago que o vício traz ao homem, e sim se ele consegue manter o estado de liberdade em que foi criado. Nós fomos criados com o direito a escolha. Acontece que muitos tem tido este direito retraído devido aos vícios adquiridos. “Como cidade derribada, que não tem muros, assim é o homem que não tem domínio próprio” (Pv 25:28).
A variedade de vícios é enorme. A começar obviamente pelas drogas, tanto lícitas como ilícitas, que tem levada inúmeras pessoas a dependência. Existem os viciados em compras, em sexo, em jogos, em internet, em café, em tv, em pornografia, enfim, em muitas coisas. Quando pensamos em vício de uma forma mais ampla, podemos até perguntar: Qual é o seu vício? Será que atualmente você tem tido algum tipo de dependência? Em geral, todo o objeto do vício se apresenta como algo prazeroso no início, mas com o passar do tempo vai se tornando uma tortura à medida que o indivíduo não consegue levar sua vida tranquilamente na ausência deste objeto. Se não tem acesso a rede, o viciado em internet acredita que sua vida está um vazio. Aquele que não pode deixar de beber um cafezinho, se o faz provavelmente terá naquele dia dor de cabeça. Quem tem vício por compras, alimenta muitas dívidas e quando não pode mais fazê-las, perde a satisfação na vida, pois não consegue encontrar prazer em outras coisas. Sem contar aqueles que destroem suas vidas e as de outros para alimentar seu vício em relação a drogas.
Os vícios retiram a consciência humana. O estado de dependência leva a mente humana a ser cauterizada. A única coisa que de fato importa para um viciado é alimentar o seu vício, independente do que tenha que fazer. Por isso, indivíduos outrora calmos, por causa do vício passam a roubar e matar. Por isso, filhos outrora amorosos e responsáveis passam a desrespeitar os pais em todos os sentidos. Por isso, mulheres abandonam filhos por não conseguir exercer seu papel de mãe e ao mesmo tempo sustentar seu vício. De fato o vício rouba a consciência humana. Conheço uma pessoa que ofereceu a própria esposa para ser violentada pelos traficantes em troca de droga. É assim que acontece, o indivíduo perde totalmente a capacidade de ponderar entre o bem e o mau. A única coisa boa aos seus olhos é o objeto de seu vício. É óbvio que esta falta de consciência não absolve os viciados pelos seus atos criminosos, mas de alguma maneira explica as barbaridades que ocorrem em decorrência da dependência.
Precisamos lutar contra qualquer tipo de vício e voltar ao estado de pessoas livres. Mas para que isto ocorra, precisamos dar alguns passos, como os que seguem:

Reconhecendo nossas fraquezas

“Porque quando sou fraco, então é que sou forte” (II Cor 12:10b).
O primeiro passo para se ver livre de qualquer tipo de vício é o reconhecimento da fraqueza. Este passo é necessário porque de fato não somos fortes. Não existe quem está totalmente imune aos vícios. Basta um problema, uma dor de cabeça, e então as portas são escancaradas para ele. Existem muitas pessoas que não conseguem abandonar os vícios por que acreditam que tem o controle, e quando quiserem parar, param. Infelizmente o que se percebe é algo totalmente contrário a isto. Pessoas querendo abandonar as drogas, o cigarro, o álcool, a pornografia, mas que não encontram forças. Isto ocorre porque nós somos fracos e vulneráveis e precisamos de ajuda.

Buscando ajuda

Quando falamos de buscar ajuda precisamos avaliar que o primeiro que deve ajudar ao viciado é ele mesmo. Não haverá mudança se a pessoa não estiver disposta a lutar pela sua recuperação. A partir deste passo o indivíduo deve entender que por mais que se esforce provavelmente nunca encontrará liberdade se lutar sozinho. Precisamos de outras pessoas e de Deus neste processo. Pessoas nos ajudarão a medida que nos fortalecem com seus testemunhos de reabilitação e também com demonstração de afeto. Não podemos nos isolar, precisamos do convívio com pessoas que queiram ver nossa recuperação. Mas isto ainda não é suficiente, precisamos de Deus. Aliás, precisamos de Deus para tudo na vida, não apenas para se recuperar de algum vício. “Se, pois, o filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8:36). A liberdade só pode ser completa com a ação de Cristo em nossas vidas. Os remédios, médicos, clínicas ou qualquer outra, se administrados alheios a Cristo, não podem garantir liberdade para o dependente. Somente Jesus tem poder para verdadeiramente nos libertar. Mas para que isto ocorra temos que busca-lo e conhece-lo. “Se permanecerdes em minha palavra verdadeiramente sereis meus discípulos. E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8:31,32). A liberdade que o Senhor oferece começa pelo desejo de permanecer em sua palavra e de ser seu discípulo. A partir deste desejo passamos a conhecer pessoalmente Aquele que é a verdade e que pode nos dar a condição de pessoas totalmente livres, Jesus Cristo.

Embriagados pelo Espírito
           
Muitos buscam as drogas pelo suposto prazer que ela traz. Estado de alucinação, de euforia, de alegria incontida, de extravasamento de personalidade retraída, são alvos que as pessoas buscam alcançar quando ingerem ou alimentam algum tipo de vício. Querem encontrar naquele objeto o que não encontram em nenhum outro lugar. Mas todos sabem, especialmente o viciado, que esta busca é uma terrível ilusão. A substância entorpecente pode até trazer algum benefício aparente, mas além de ser passageiro e volúvel, quando acabam seus efeitos restam apenas os estragos ocasionados por aquela noite de prazer.
Por isso quero oferecer a você um outro tipo de “nóia”, um outro tipo de “barato”. Quero oferecer a você um outro tipo de embriagues. Quero que você se embriague pelo Espírito. Certa vez os discípulos estavam reunidos e receberam o Espírito Santo sendo totalmente cheios por Ele. A alegria e a euforia era tanta que algumas pessoas acreditavam que eles estavam bêbados. “Outros, porém, zombando, diziam: estão embriagados!” (At 2:13). O Espírito nos leva a experimentar coisas que jamais experimentaríamos. Passamos a ter visões. Passamos a sentir e ter prova da presença de Deus. Experimentamos uma alegria incondicional e inconfundível que só pode ser produzida pelo próprio Espírito. O Espírito molda as nossas personalidades de maneira que fazemos o que pensávamos que nunca seríamos capazes de fazer. Leva-nos a uma capacitação mediante os dons que oferece para realizarmos verdadeiras maravilhas. Compreende a dor que sentimos como ninguém o faz, e por isso pode nos consolar como ninguém o faz.
Vale a pena se “embriagar” pelo Espírito. Deixar o controle em suas mãos. Quantas vezes oferecemos o controle das nossas vidas para o álcool e as drogas, mas hoje quero te convidar a deixar a sua vida totalmente ao controle do Espírito Santo. “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5:18).

Que Deus lhe abençoe!!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Não temas, crê somente!

“Mas Jesus, sem acudir a tais palavras, disse ao chefe da sinagoga: Não temas, crê somente.” (Mc 5:36)

Este episódio bíblico nos apresenta uma cena comovente e angustiante. Um pai, chamado Jairo, interpela Jesus em busca de cura para a sua filha. A verdade é que ele diz a Jesus que sua filha está à beira da morte, contudo, quando Jesus chega ao lugar onde estava a menina, encontra-a morta.

Quando Jesus ouve o pedido de Jairo, diz o texto que Ele o seguiu (Mc 5:24). O Mestre não o ignorou nem o fez desistir de seu objetivo, que era ver sua filha salva. Apesar disto, Jesus não diz nada de imediato, apenas segue com ele. Fico imaginando que aquele foi um momento de incertezas. Jesus o seguia, mas, será que iria curar a menina, ou melhor, ressuscitá-la? Parece-me que Jairo cria de forma inquestionável. Mas não tenho dúvidas que foi extremamente difícil lidar com o silêncio de Jesus. Ao longo do caminho, nenhuma palavra, nenhuma afirmação. Nem que trouxesse esperança nem mesmo que o fizesse desistir. Por que Jesus estava em silêncio? Por que não adiantou o que iria fazer?

Outro acontecimento que certamente incomodou Jairo foi o fato de Jesus não ter tido pressa para chegar ao local. O texto diz que ao longo do caminho ele ainda efetuou cura (mulher com o fluxo de sangue). Jesus seguia Jairo e parecia se importar com sua dor. Porém, não estava alheio a dor dos demais que estavam ao seu redor. Agora tente se colocar no lugar de Jairo. Será que você não se sentiria angustiado por ver a demora de Jesus? Não que Ele não devesse curar aquela mulher, mas será que não poderia ser em outro momento? Afinal, para quem está à beira da morte cada segundo é precioso.

Depois de toda esta caminhada enfim eles chegam ao local onde estava a menina. A primeira palavra que Jairo escuta daqueles que estavam no local é como um balde de água fria: “Tua filha já morreu” (Mc 5:35). Eis que então Jesus diz as primeiras palavras relacionadas àquela situação: “Não temas, crê somente.” Foi o que Jairo fez e o milagre aconteceu.

Nas nossas vidas, são muitas as situações de incertezas. Por vezes, pensamos mesmo que Jesus está demorando demais. Outras vezes, o silêncio do Mestre nos deixa confuso. Há ainda aquelas situações da vida em que tudo mais ao nosso redor diz não haver solução para o nosso caso. Mas neste dia o Senhor te diz: “Não temas, crê somente.” Creia em Deus, naquilo que Ele fez e tem feito em sua vida. Creia que Ele é poderoso. Não temas, não desista. Pois no final, o Senhor irá cumprir a Sua vontade. E saiba, a vontade do Senhor, seja qual for, representa a sua vitória.  


Deus lhe abençoe!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A imagem de Deus.

Minha esposa tem uma prima que se chama Leonora. Em 2001 fomos morar em outro país e desde então perdemos o contato com ela. Naquela ocasião Leonora era uma adolescente baixinha e muito gordinha. Moramos fora por quase 5 anos, retornando no final de 2005. Quando vi a foto da Leonora após o retorno, assustei: tratava-se agora de uma jovem muita alta e magra. Sua fisionomia e corpo mudaram completamente. Só acreditei que se tratava da mesma pessoa porque aqueles que ficaram no Brasil me afirmaram assim.

Esse fato me fez lembrar de uma ilustração que ouvi outro dia do Frei Carlos Mesters. Imagine se você tivesse que buscar na rodoviária uma tia avó, a mando de seu pai. Para cumprir a tarefa, seu pai lhe desse uma foto. Acontece que a foto havia sido tirada há 40 anos. Você esperava uma mulher de meia idade. Todos descem do ônibus, e ninguém se parece com aquela imagem que estava na foto. Por fim, desce uma senhora bem idosa e você então pergunta a ela se por acaso não havia visto a mulher em questão. Para sua surpresa ela diz: Sou eu! Você, meio incrédulo, pede licença e sai de fininho, pois na sua cabeça era impossível ser a mesma pessoa.

Algo semelhante acontece nas imagens que criamos acerca de Deus. Muitas vezes ficamos tão presos na foto que deixamos de perceber quem realmente é Deus. Willian P. Young escreveu um romance que ganhou muito destaque: “A cabana”. Nessa obra Young constrói imagens acerca de Deus que foram alvo de muitas críticas. Deus Pai é uma mulher negra e obesa, chamada Papai. Deus Filho é um homem do oriente médio que se dedica a marcenaria, chamado Jesus. O Espírito Santo era uma mulher asiática pequena e que provavelmente era jardineira, chamada Sarayu. Em uma passagem do livro, o personagem Mack (homem que vai ter um encontro com Deus na Cabana), depois de afirmar que Papai não poderia ser o mesmo Deus que ele conhecia, ouve da lindíssima Sophia (personificação da sabedoria de Deus): Talvez sua idéia sobre Deus esteja errada (Pg 150).

Diante disso, eu lhe pergunto: Qual a imagem que você tem de Deus? Será que ela é correta? A imagem que construímos de Deus determina quase tudo sobre as nossas vidas. A relação com o próximo, com o a criação, conosco mesmo, com a igreja, dentre outras coisas, sofre influência direta dessa imagem. E nós fazemos isso, construímos imagens sobre Deus. Às vezes consciente ou inconscientemente. Às vezes somos manipulados ou mesmo induzidos por aquilo que os outros dizem.

Conta-se uma história em que um menino assistia um dos vários filmes a respeito do ministério e vida de Jesus. Quando Pilatos realizava o julgamento, depois de alguma hesitação, Jesus foi finalmente condenado à morte. Nessa hora o menino exclamou com profunda satisfação: Isso mesmo Pilatos! A mãe, que estava na cozinha, assustada com a reação do filho, perguntou: Meu filho, como você pode reagir assim, é Jesus que vai morrer? O menino então responde: ora mãe, a senhora não diz que Jesus vive querendo castigar a gente por aquilo que a gente faz? Então eu acho que a condenação dele foi muito merecida.

Mais do que olhar para as imagens que nossas mães ou quem quer que seja constrói acerca de Deus, temos que olhar para aquilo que a Bíblia diz. Muitas imagens sobre Deus foram construídas ao longo das Escrituras. Deteremo-nos a uma imagem interessante construída no período do exílio babilônico e no pós-exílio, relatada no Dêutero-Isaías (Is 40-55) e no Trito-Isaías (Is 56-66), respectivamente. Vale dizer que a imagem antiga de Deus não funcionava mais. No período pré-exílico Deus era um monarca santíssimo, acessível apenas por alguns, os sacerdotes, que habitava em um templo, cujo grande sinal de sua benção era a oferta da terra. O exílio exigiu uma nova imagem de Deus, pois o templo foi destruído, o sacerdócio foi extinto e a terra foi invadida.

Nesse contexto a imagem que as pessoas passam a ter de Deus brota no ceio da família. Deus passa a ser experimentado no contexto familiar. Agora Deus é Pai (Is 64:8; Is 63:16): o pai que ama, perdoa e educa. Agora Deus é Marido (Is 54:5): o marido que ama, provê e acaricia. Agora Deus é Mãe (Is 66:13; Is 49:15): a mãe que gesta, amamenta e protege.

O povo hebreu usava um nome interessante para Deus: El Shaddai (lit. O Deus que amamenta). Certa ocasião um bandido, depois de assaltar um banco, procurava um refém para que pudesse fugir. Percebeu que tinha uma mãe com uma criança no colo. Então ele pede que a mulher lhe dê a criança, o que ela prontamente negou. Furioso, ele disse: ou a senhora me dá a criança ou então vou atirar em vocês. A mulher envolveu totalmente a criança em seu colo e disse: você pode me matar, mas meu filho eu não te entrego. O bandido atirou, a mulher morreu e a criança saiu ilesa. Talvez essa história trágica pode nos dizer um pouco sobre Deus. Este Deus, que também é mãe, é capaz de nos envolver com sua proteção doando-nos totalmente a vida, mesmo que para isso tenha que padecer.

Mesmo buscando essas imagens bíblicas sobre Deus ainda corremos o risco de errar. Podemos eleger aquelas que mais nos agradam e desprezar aquelas que não nos satisfazem tanto. Ou mesmo podemos continuar a propagar um discurso sobre Deus iverossímel por repetir o que os outros dizem. Conta-se uma história em que estava diante das pessoas uma foto de um homem com expressão muito severa e apontando um dedo de acusação. Alguém perguntou: o que essa imagem representa? As respostas foram: acusador, antipático, irritadiço, mal educado etc. Neste momento entra um jovenzinho correndo, e ao olhar a foto, esboça surpresa e exclama: este é o meu pai. Essa foto foi eu que tirei. Ele estava defendendo a causa de alguns sem-teto que foram expulsos de um terreno lá onde morávamos. Nessa hora meu pai estava muito bravo com os donos do terreno, pois ele sabia que aquela propriedade teria um fim nada humano nas mãos deles.

A semelhança daquele menino que abriu os olhos de quem era o seu pai para aqueles que não conseguiam ver além da imagem fotográfica, Jesus abre os nossos olhos para de fato enxerguarmos o verdadeiro Deus, seu Pai. Em Jesus, nos torna mais clara a compreensão do Deus Pai, do Deus Marido e do Deus Mãe. Em Jesus, Deus fica mais nítido e passamos a experimentá-lo como nunca. Então, lá vai uma dica: Se aproxime tanto de Deus a tal ponto de jamais confundi-lo. Essa aproximação só será possível pelas vias do caminho que se chama Jesus. Entregue completamente a sua vida a Jesus e nunca mais a imagem verdadeira de Deus será ofuscada.

Deus lhe abençoe!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Simplesmente como Jesus

“Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco)” (Mt 1:23).

A experiência do Deus encarnado é a grande distinção do cristianismo para as demais religiões. Se na maioria delas os seus deuses estão sempre distantes e indiferentes, para nós, os cristãos, isso não ocorre. O nosso Senhor não só encarnou, mas o fez por amor a humanidade e para que muitos pudessem dizer: Deus conosco.
Quando Jesus nasceu de uma virgem, chamada Maria, trouxe a um número enorme de pessoas, ao longo destes séculos da era cristã, a certeza de que Deus não está e nunca esteve disposto a deixar sua criação sozinha e desamparada. Jesus, o Deus Filho, se fez homem, habitou entre os homens, para através de sua vida dizer: “Ei, meus amigos e irmãos, eu estou aqui. Vocês nunca estiveram sozinhos. E agora quero mostrar-lhes através da minha vida e companhia como chegar ao coração do Pai.”
É impressionante saber que Jesus se sujeitou a isso. Como pode o Senhor de toda a glória se rebaixar a condição de um simples humano? Essa pergunta parece certa e tem sido feita por muitas pessoas. Contudo ela está equivocada em sua afirmação. O humano não é e nunca foi uma simples criatura. O ser humano é simplesmente imagem e semelhança de Deus, ou seja, de Jesus. Jesus ao tornar-se humano simplesmente assumiu outra característica do seu ser, a materialidade.  
O ser humano, na perspectiva bíblica, deveria ser alguém que refletisse a Deus, em seus atributos e qualidades. Então, ser humano é ser alguém que reflete atributos e características divinas (como amor, justiça, cuidado com os demais seres e coisas criadas, bondade, misericórdia, acolhimento etc). Por isso digo que não foi assumir a humanidade que foi ruim para Jesus, por que, humano mesmo, ele sempre foi. O que foi ruim foi exercer a sua humanidade diante de seres humanos não humanos, ou seja, de seres incapazes de espelhar a Deus como sua imagem e semelhança.
Por isso era necessário Deus conosco. Desaprendemos, por conta do pecado, a sermos humanos. Somente Jesus, em sua perfeita humanidade, poderia nos ensinar novamente o que somos de verdade. Mais do que isso, o Deus conosco se tornou o próprio caminho a ser trilhado (Jo 14:6) rumo a reconquista da perfeita humanidade, ou seja, cópia fiel de Cristo. Este é o nosso desafio, esta é a nossa missão: deixar o Deus conosco nos ensinar a sermos humanos novamente, para sermos simplesmente como Jesus. 

Deus lhe abençoe!

Ser Pai

Há seis meses Deus me fez pai, ou melhor, permitiu que duas crianças lindas me fizessem pai. Minha esposa não teve uma gestação convencional, pois eles nasceram em nossos corações. Sempre foi um sonho e parecia ser bem distante, mas Deus de maneira inesperada agiu e o milagre aconteceu, a paternidade se fez possível mais uma vez. É verdade, ser pai é desfrutar de um milagre de Deus.

De lá para cá muitas coisas mudaram. A vida traçou um novo rumo e a responsabilidade aumentou sobremaneira. Em casa éramos apenas dois, agora somos quatro. Da noite para o dia a cabeça se encheu com novas e genuínas preocupações. Perguntas como estas passaram a rondar minha mente: A comida que meus filhos estão comendo lhes é saudável? E a saúde deles, como está? Qual o conteúdo deste programa de TV que vamos assistir? O que estão fazendo enquanto estou trabalhando? Como foi o seu dia de aula? O que vai acontecer com eles no futuro? É verdade, ser pai é experimentar novos conceitos de responsabilidade.

Se as perguntas mudaram, a rotina da casa também mudou. No varal a maioria das roupas agora é feita em “miniatura”. Os brinquedos estão espalhados por toda a casa. O quarto de visita tornou-se quarto das crianças. O controle da TV já não é propriedade do papai. O horário já não está subordinado aos interesses dos adultos. A atenção da esposa agora sofre a “cruel” concorrência dos filhos. Não é verdade que as crianças sejam donas da casa, mas é bem verdade que elas mudaram a noção de propriedade do papai. Abrir mão em favor do filho não é uma dificuldade. É verdade, ser pai é ser altruísta.

A paternidade apresenta uma nova faceta do amor. Não que este amor seja maior ou menor do que outros amores da minha vida, mas certamente ele é novo e diferente. Como é doce a voz da minha “princesa” dizendo: Papai eu te amo! Como é cativante o sorriso fácil do meu “príncipe”. O amor surge diferente e é capaz de preencher a vida com profunda alegria e significado. É verdade, ser pai é viver um novo amor.

Sei que os meus filhos vão crescer e seguirão suas vidas. Se casarão, terão filhos e quem sabe, mudarão para lugares distantes. Faz parte da vida de pai preparar-se para uma eterna saudade. Mas quem disse que isso é ruim. Vê-los progredir, sendo exatamente aquilo que Deus projetou para suas vidas deve ser a maior realização de um pai. Embora eu ainda não tenha experimentado esta etapa, tenho uma forte convicção, que perto ou longe, pequenos ou grandes, meus filhos continuarão me fazendo um milagre de Deus, um ser responsável e altruísta, e que vive um amor intenso. É verdade, ser pai é ser saudosista, porém convicto.

Por fim vale dizer que Deus é a expressão maior do que seja pai. Ele não apenas experimentou o “milagre” de ser pai, mas ele é o próprio milagre que torna a paternidade possível. Deus é um pai responsável, a tal ponto de lutar até as últimas conseqüências para ver a nossa vitória. Além disso, ele é altruísta na medida em que abre mão de si mesmo em favor de nós. E certamente em Deus Pai está a maior expressão de amor que existe. Portanto, que sejamos pais, mas mais do que isso, que sejamos pais semelhantes ao Deus Pai. “Porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Abba, Pai.” (Gl 4:6).

As lições do estanho: dez anos ao lado de minha amada.


O estanho é um elemento químico de símbolo Sn, número atômico 50 (50 prótons e 50 elétrons) e com massa atómica de 118,7 u. Está situado no grupo 14 ou IVA da classificação periódica dos elementos. É um metal prateado, maleável que é sólido nas condições ambientais. Não se oxida facilmente com o ar e é resistente a corrosão.
É usado para produzir diversas ligas metálicas utilizados para recobrir outros metais para protegê-los da corrosão. O estanho é obtido principalmente do mineral cassiterita onde apresenta-se como um óxido. É um dos metais mais antigos conhecido, e foi usado como um dos componentes do bronze desde a antiguidade

O nosso amor e o estanho tem muita coisa em comum, você não acha? Se não prestou bem atenção as características deste elemento químico, talvez possa não ter percebido as semelhanças. Por isso abaixo relaciono algumas coisas que achei muito parecido com a gente.

A primeira coisa é que o estanho é um elemento químico, assim como o nosso relacionamento também acontece nos mesmos termos de um elemento químico. Ou não seria uma reação química a maravilha de dois se tronarem um; do coração disparar quando o outro se aproxima; da inexplicável saudade que dilacera o nosso interior quando estamos ausentes um do outro; do suor frio que sentimos quando nos olhamos... Não tenho dúvidas de que nossa relação é semelhante a um elemento químico, tal qual o estanho.

Outra coisa é que assim como o estanho o nosso amor é resistente a corrosão. Estes dez anos juntos não puderam corroer nem um pouquinho o que sentimos um pelo o outro, pois ele é à prova de corrosão. Deus nos uniu, e o fez de maneira definitiva e eterna. Se o estanho é usado para diversas ligas metálicas, Deus fez a nossa união com o que havia de mais duradouro, o amor. Nele vivemos estes dez anos, nele viveremos outros dez, vinte, trinta, quarenta... nele ultrapassaremos a barreira do tempo. Pois nossa união nasceu a dez anos atrás para durar simplesmente por toda a eternidade.

Como você observou, o estanho é um dos metais mais antigos que o homem tenha conhecimento. Nosso relacionamento não é tão antigo assim, mas o que nos une simplesmente não teve início, nem terá fim. Ele é o alfa e ômega, o princípio e o fim. Quem nos une é Deus. E tenho certeza que Deus quando projetou uma menina carioca nascida em 07/02/1978 chamada Amanda e um garoto campograndensse nascido em 26/02/1983, já tinha planejada nossa união desde sempre. Por isso podemos dizer que nossa relacionamento é tão ou mais antigo que o estanho, pois ele nasceu no coração de Deus desde sempre.

Por fim o nosso relacionamento pode ser comparado ao estanho pois ele é usado como um dos componentes de metal nobre e valioso, o bronze. A partir do estanho se chega ao bronze. O nosso relacionamento também produz muita coisa valiosa, não acha? A partir do nosso relacionamento se chega a felicidade, a realização, a paz, a fidelidade, ao compromisso, a conquistas, a segurança, ao amor... Não seriam estas coisas mais valiosas do que qualquer metal nobre? E antes de que você pense que esqueci, a partir do nosso relacionamento se chega a tesouros como estes: Lucas e Fernanda, nossos filhos amados...

Mas no final das contas você pode estar se perguntando, de onde eu tirei esta comparação tão incomum. É verdade que comparar o nosso relacionamento com o estanho não é algo que costumo fazer. Mas acontece que hoje eu tenho um motivo especial para fazer isso. Sabe por quê?

Feliz bodas de estanho (dez anos de casado).

Tudo bem vai, não é tão chique como bodas de prata ou bodas de ouro, mais no final eu não estou nem um pouco preocupado com isso, pois o que importa mesmo é que você me fez o homem mais feliz do mundo nestes últimos dez anos e certamente fará para todo sempre. Não se esqueça, foi muito bom estar contigo estes últimos dez anos, ainda melhor será passar toda a eternidade ao teu lado.

Eu te amo hoje e sempre.
Do seu amor Leandro Azambuja.


Promessas absurdas

A vida cristã está baseada em muitas promessas absurdas. Existem coisas das quais a palavra de Deus diz que de tão improváveis parecem ser inviáveis. Por exemplo, como conceber um Deus todo-poderoso, criador de todas as coisas que se importa tanto com a humanidade que se fez homem e resolveu entregar sua própria vida em favor dela garantindo-lhe assim a salvação. É um absurdo. É inimaginável. É loucura. Mas quem disse que a vida cristã teria que ser sustentada por coisas lógicas e compreensíveis? Quem disse que a nossa fé estaria firmada em promessas palpáveis e verificáveis?
Crer em Deus é crer no absurdo que extrapola em muito a nossa compreensão limitada da vida. É um absurdo justamente por se tratar de um ser ilimitado e transcendente. Não está ao alcance completo de nossas mãos. Em outras palavras, por mais que reflitamos sobre Deus e tiremos as nossas conclusões, Ele sempre nos surpreenderá.
Abraão e Sara experimentaram parte dessa surpresa. Apesar de já serem idosos o Senhor prometeu que eles seriam pais (Gn 18:9-15). Promessa absurda que veio a se concretizar, como se isso fosse necessário dizer, pois tudo que o Senhor promete Ele cumpre. Abraão e Sara puderem ver que o Senhor faz suas promessas e estabelece seu relacionamento conosco não apenas naquilo que os olhos podem ver, que as mãos podem tocar, que a mente pode refletir, enfim, que o ser humano pode discorrer. Deus realiza o provável e o improvável. Deus realiza o absurdo. Então, descanse e fique em paz, pois se o Senhor lhe prometeu algo, por mais absurdo que seja, Ele irá cumprir.

Deus lhe abençoe!

O Deus do ordinário e do extraordinário

Deus quer se relacionar conosco de tal forma que se mostre no ordinário da vida e também no extraordinário. Ele não está limitado a um ou a outro.
Vendo a ação de Deus no ordinário da vida (A grande pesca – Lc 5:1-11)
O texto bíblico nos fala de uma simples pescaria. Tratava-se de mais uma ação ordinária da vida onde as pessoas envolvidas puderam perceber a ação de Deus. A vida cotidiana precisa ser vivida com Jesus, pois é ele quem a torna possível. Às vezes somos presunçosos, ignoramos Deus das nossas atividades do cotidiano. Realizamos todas as coisas e nos esquecemos que Deus está presente. Acordamos, tomamos café da manhã, trabalhamos, almoçamos, jantamos, estudamos, dormimos... Onde Deus entra nestas atividades ordinárias da vida?
Temos que aprender a nos relacionar com Deus no ordinário da vida, pois Ele sempre estará presente. Quando atentamos para a presença de Deus nas atividades cotidianas, elas serão potencializadas. Convide o Senhor a participar do ordinário de sua vida. Pergunte a Ele onde você deve lançar sua rede, não seja afoito e precipitado. Convide Jesus para fazer parte do seu trabalho, de suas férias, de seus estudos, de seus relacionamentos, de seus planos, de seu ministério etc. Não caia na ilusão de que você pode sozinho. Por mais simples que seja a tarefa a realizar, ela nunca será tão simples a ponto de você não precisar de Jesus.
Um bom exercício para perceber Deus no ordinário da vida é atentar para sua criação. Você já parou para refletir sobre Deus a partir da criação? O apóstolo Paulo fez isso (Rm 1:20). Vejamos abaixo algumas coisas que podemos aprender diante de coisas ordinárias da vida: Oceanos (Grandeza de Deus); Vulcões (Poder de Deus); A inter-dependência de todos os seres (o caráter relacional de Deus); Flores, beija-flor, urso panda (beleza de Deus); Diversidade de peixes (Criatividade de Deus); Complexidade do corpo humano (Sabedoria de Deus); Ar, fotossíntese, lei da gravidade (Cuidado de Deus). O ordinário da vida nos revela quem é Deus (características, vontade, desejo, presença). 

Vendo a ação de Deus no extraordinário da vida (Mt 17:24-27)

Existem situações que o ordinário não basta. São situações limites, onde ocorre o difícil encontro com o impossível. No texto bíblico acima se observa um acontecimento extraordinário. Não é comum pescar um peixe com uma moeda na boca (estáter: moeda de ouro ou prata provavelmente instituída no sistema monetário grego). A bíblia nos mostra diversas situações em que o ordinário não foi suficiente: O mar que se abriu; O fogo que não queimou Sadraque, Mesaque e Abdnego; Daniel na cova dos leões; A idosa grávida (Sara); O homem que não viu a morte (Enoque); etc.
Muitas vezes nós seremos expostos a situações limites, tais como: doença, desemprego, abandono, caos social, corrupção, drogas, morte, pecado etc. Então será preciso lembrar que Deus é maior do que todos esses impossíveis (Ef 3: 20-21). Não é a razão, a lógica, a história, a medicina, a estatística, que pode deter o nosso Deus. Deus não tem compromisso com essas instâncias do saber. Ele faz como quer, a hora que quer e do jeito que quer. O Senhor tem te chamado para experimentar o sobrenatural, o extraordinário, o impossível (Is 43: 1-3). O fato mais extraordinário da história já aconteceu. Deus se fez homem, habitou entre os homens, sofreu, morreu e ressuscitou, e tudo isso para te salvar. Por que então duvidar das demais coisas (Rm 8:31,32)? O extraordinário da vida ocorre para nos lembrar quem nós somos (limitados, impotentes, vulneráveis, fracos, dependentes, carentes).

Se entregue a Jesus e não viva apenas o ordinário da vida, experimente também o extraordinário. Deus quer ser ordinariamente compreendido e extraordinariamente experimentado na relação com seus filhos.

Deus lhe abençoe!

Tentativa humana e a solução de Deus.

No terceiro capítulo do livro de Gênesis está o relato da queda da raça humana. O ser humano que vivia em profundo relacionamento com Deus sofre as conseqüências de sua desobediência. Desafiam a ordem de Deus e descumprem aquilo que Deus havia estabelecido como mandamento. Imediatamente após comerem do fruto, Adão e Eva perceberam que estavam nus e sentindo medo de Deus, se esconderam (v. 10). Mas antes de se esconderem eles coseram folhas de figo para se vestirem (v. 7).
As cintas de folhas de figo do v. 7 eram somente para os quadris. As vestimentas duráveis de Deus (v. 21) se contrastam com a tentativa inadequada de Adão e Eva de enconbrir sua vergonha. A provisão de Deus também implicava a morte de um animal, talvez sugerindo um sacrifício pelo pecado. Enquanto eles buscaram se vestir inapropriadamente de folhas de figo, Deus “soluciona” o problema da nudez com vestes feitas de peles de animais.
O desdobramento da história humana mostra que a lógica continua sendo a mesma. O homem sempre busca formas de resolver os seus problemas. A dor, o sofrimento, a angústia, o pecado, a miséria, o engano, dentre outros problemas humanos, parecem ter sempre a fórmula mágica para serem resolvidos.
 O homem sabe bem confeccionar “roupas de figo”, que até parecem ser de qualidade, mas que são totalmente vulneráveis e extremamente limitadas e passageiras. Somente Deus sabe fazer “as melhores roupas”, aquelas feitas de peles de animais. Em outras palavras, somente Deus tem a solução eterna para os nossos problemas e fracassos. Essa solução se chama Jesus Cristo. A semelhança daquele animal que foi morto para cobrir a vergonha da nudez de Adão e Eva, Jesus Cristo foi morto para cubrir a vergonha de toda a humanidade e reconciliá-la com Deus. Por isso vista-se da melhor roupa, vista-se de Jesus Cristo e experimente a solução de Deus para os percalssos de sua vida.

Deus lhe abençoe!