O capitalismo é um modo de organização social-político em que o capital e o acesso a ele é fundamental. Nesse modo de vida a propriedade privada é valorizada. A vida se organiza basicamente em: o que tenho a receber (crédito) e o que tenho a pagar (débito). Fundamentalmente, para essa sociedade, os indivíduos terão tanto mais valor quanto o crédito superar o débito.
Pode-se dizer que essa visão influencia nossas relações, como por exemplo, namoro, amizades etc. Fazemos uma espécie de balança comercial e priorizamos aqueles que estão em superávit. A partir daquilo que julgamos ser crédito e débito passamos a nos relacionar. É bem verdade que isso não ocorre com todos, mas é a realidade de muitas pessoas atualmente. Esse modo de viver acaba gerando influências também dentro das relações no contexto da igreja e até mesmo com Deus.
A Bíblia fala que certa vez uma mulher foi pega em adultério (Jo 8:1-11). Nesse contexto podemos ver um embrião daquilo que temos dito até aqui. As pessoas eram julgadas por seus atos e condenadas, caso o débito prevalecesse. Foi o que aconteceu com aquela mulher, por estar em adultério ela era uma profunda devedora e por isso deveria ser condenada. Pensa-se que quando o débito prevalece Deus se levanta rapidamente para castigar o devedor. Por vezes alguns se colocam na condição de castigadores de Deus, como era o caso dos escribas e fariseus.
Por outro lado, o crédito pode prevalecer. Certa vez um jovem rico chegou diante de Jesus achando-se em crédito por obedecer aos mandamentos (Lc 18:18-21). Percebendo o que realmente ele queria Jesus tratou logo de dizer: “só Deus é bom, e mais ninguém”. Talvez na mente dele estivesse a idéia de muitos crentes do séc. XXI, “se estiver com crédito Deus tem que me abençoar”. Por vezes nos colocamos na posição de dignos daquilo que Deus faz.
Mas como Deus nos trata? Será que Ele leva em conta os créditos ou os débitos e realiza sua balança comercial em relação a nós? A Bíblia conta uma história muito conhecida de dois filhos (Lc 15:11-32) e com ambos podemos entender como Deus nos trata. Com o pródigo aprendemos que Deus não contabiliza os débitos. O Pai não levou em conta a vida desregrada do filho quando o recebeu de volta. Deus não nos olha por meio da crítica, Seu olhar é sempre compassivo. As mudanças só podem ocorrer por que Seu amor é sempre o primeiro passo (Rm 5:8). Com o filho que ficou em casa aprendemos que Deus não contabiliza os créditos. Diante de Deus não são os créditos que vão fazer a diferença. Por isso, não devemos nos achar bons o bastante a ponto de merecermos o que vem de Deus.
Mas, afinal, como Deus nos mede? Deus nos mede exclusivamente por sua GRAÇA (Ef 2:8-10). Não existe crédito e nem débito, existe GRAÇA. Não existe balança comercial, existe “balança gracial”. Em Jesus aprendemos que Deus derrama sua graça, seu favor imerecido, tanto para o débito quanto para o crédito que possa existir em nós. Experimente a graça de Deus e sua vida nunca mais será a mesma!
Deus lhe abençoe!
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