quinta-feira, 26 de julho de 2012

Berço esplêndido, para quem? (Dt 16:9-12)


A segunda parte do Hino Nacional Brasileiro começa dizendo: “Deitado eternamente em berço esplêndido”. Mas eu me pergunto, quem é que tem deitado em berço esplêndido? Obviamente o Hino faz menção a nação como um todo, e nesse trecho especificamente, enaltece as belezas naturais deste rico solo. Contudo, nós sabemos que o Brasil não é composto apenas por suas belas paisagens, mas, sobretudo pelos habitantes delas. Então pergunto novamente, quem são os brasileirinhos que tem tido o privilégio de deitar em berço esplêndido em sua jornada infantil?
Vamos deixar de lado a interpretação fidedigna da palavra “esplêndido” para pensar que todo aquele que recebeu o que era preciso em sua criancice alcançou o ideal de nosso hino. Isso porque para mim berço esplêndido não é feito de ouro ou pedras preciosas e sim de amor. Não se trata de uma construção superprotegida dos palácios reais e sim da proteção constante e terna das mãos paternais. Não se trata de aparente luxo e ostentação e sim de constante oferta de dedicação. Nesse sentido posso afirmar seguramente que eu nasci em berço esplêndido, pois desde meus primeiros dias de vida fui amado, protegido, querido, acariciado, amparado, cuidado, ..., por meus pais e outros mais. E você, também recebeu tudo isso? Então pode afirmar: nasci em berço esplêndido!
Se essa é a nossa realidade infelizmente não é a de todos. Se você nasceu em um ambiente devidamente ajustado para recebê-lo e seu filho também teve o mesmo destino, saiba que você é um abençoado. Muitos neste rico solo nascem distantes de onde os berços esplêndidos estão postos. Milhares de crianças abandonadas, exploradas e esquecidas. Crianças pedindo esmolas, roubando e se prostituindo para que possam simplesmente comer. Crianças catadoras de lixo, guardadoras de carro, colhedoras de cana, trabalhadoras de carvoaria... cujos “brinquedos” se tornaram a garrafa reciclável, o limpa vidros, a foice e os tocos de madeira. Crianças vitimadas por aqueles que mais deviam amá-las, seus pais. Abusos sexuais, violência física e verbal, abandono, maus tratos... UFA... onde estão os berços esplêndidos que estes pequeninos merecem?
Tenho conhecido crianças que em 5, 6 ou 7 anos de vida já experimentaram muito mais dor e sofrimento do que eu provavelmente experimentarei ao longo de toda vida. Duvida? O que você acha de uma pequena que viu seu pai se enforcar, sua mãe usar drogas, ser molestada por tios e primos e abandonada pela avó? Ou o que acha de outra pequena com deficiência auditiva que foi violentada por parentes e agora está internada por que sua gravidez é de alto risco?
Talvez você se pergunte: e daí, o que eu posso fazer além de cuidar bem dos filhos que Deus me deu? Antes de tudo olhe para a Bíblia. Em diversos momentos, como nosso texto em destaque, a Bíblia afirma que a tarefa de amparar e ofertar socorro ao órfão são do povo de Deus. Não tenho dúvidas de que hoje existem muitas crianças órfãs, tanto de pais vivos quanto de pais mortos, que podem ser abençoadas por você. Você já pensou em adotar uma criança? Por que não? Já pensou que pode repartir seus bens dando de comer a quem não tem? Você já pensou em comprar brinquedos e entregar para crianças carentes? Procurou investigar denúncias e suspeitas de maus tratos? Que tal fazer uma visitinha a uma instituição acolhedora de crianças em situação de risco? Hoje é dia para você se atentar para essas coisas e outras mais. Não tenho dúvidas de que o berço esplêndido da criança violentada, desamparada e maltratada pode estar em suas mãos.

Deus lhe abençoe e lhe use!