quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A maravilhosa Graça de Deus

Neste último final de semana preguei em minha Igreja sobre a Graça de Deus. Esse tema tem rondado minhas reflexões teológicas nesses últimos dias com maior frequencia. Gostaria então de compartilhar com vocês as seis características da graça de Deus baseadas na carta aos Romanos que trabalhamos no sermão :

1° A Graça de Deus transforma nossa realidade (Rm 6:1-4)
Aonde a graça chega uma transformação ocorre. A graça transforma nossa mente e coração. A graça transforma nossas intenções e ações. A graça transforma nossos pensamentos e sentimentos. A graça transforma nossa forma e essência. Com a graça de Deus a vida nunca mais será a mesma.
2° A Graça de Deus nos limpa do pecado (Rm 6:14)
Éramos sujos e Deus nos limpou. Éramos escravos do pecado e o Senhor nos libertou. O Senhor lavou as nossas roupas, limpou nosso interior, nos fez cheirosos, penteou nosso cabelo, fez alguns reparos em nossa fisionomia, e depois disse: você nasceu de novo, as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo.
3° A Graça de Deus nivela os seres humanos (Rm 10:11-12)
Judeu/grego – branco/negro – alto/baixo – homem/mulher – rico/pobre – pastor/membro
4° A Graça de Deus escancara o amor do Pai, do Filho e do Espírito
- pela graça o Pai entregou seu Filho
- pela graça Jesus sujeitou-se a cruz
- pela graça o Espírito Santo sujeitou-se a habitar em habitação tão precária (somos imperfeitos e pecadores; não sou grande coisa, mas sei que sou templo do Espírito)
5° A Graça de Deus é suficiente (Rm 5:18-21)
Com a graça de Deus não precisamos de mais nada, pois ela é suficiente. É suficiente para os meus pecados, medos, incertezas, inseguranças, incapacidade etc. A graça de Deus é suficiente para detonar com o inimigo, vencer a morte e nos trazer a vida.
6° A Graça de Deus nos traz salvação (Rm 3:21-24)
Pela graça somos salvos. Devemos nos entregar completamente a este Deus gracioso e experimentar a vida nova que ele tem para nós. Isso é para todos. Existem cristãos que ainda precisam ser salvos de seus preconceitos, legalismo e farisaísmo. Somente a graça de Deus tem a salvação para esses. Contudo, existem pagãos que precisam ser salvos de seu distanciamento de Deus e falta de esperança. Somente a graça de Deus tem a salvação para esses. Entregue sua vida ao Senhor Jesus, experimente sua graça, ande em novidade de vida, seja salvo de sua desumanidade, e espere confiantemente os céus se abrirem para você. E quando chegar lá possivelmente você ouvirá Deus dizer: seja bem vindo pois a minha graça te trouxe até aqui!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Superando o evangelho capitalista

O capitalismo é um modo de organização social-político em que o capital e o acesso a ele é fundamental. Nesse modo de vida a propriedade privada é valorizada. A vida se organiza basicamente em: o que tenho a receber (crédito) e o que tenho a pagar (débito). Fundamentalmente, para essa sociedade, os indivíduos terão tanto mais valor quanto o crédito superar o débito.

Pode-se dizer que essa visão influencia nossas relações, como por exemplo, namoro, amizades etc. Fazemos uma espécie de balança comercial e priorizamos aqueles que estão em superávit. A partir daquilo que julgamos ser crédito e débito passamos a nos relacionar. É bem verdade que isso não ocorre com todos, mas é a realidade de muitas pessoas atualmente. Esse modo de viver acaba gerando influências também dentro das relações no contexto da igreja e até mesmo com Deus.

A Bíblia fala que certa vez uma mulher foi pega em adultério (Jo 8:1-11). Nesse contexto podemos ver um embrião daquilo que temos dito até aqui. As pessoas eram julgadas por seus atos e condenadas, caso o débito prevalecesse. Foi o que aconteceu com aquela mulher, por estar em adultério ela era uma profunda devedora e por isso deveria ser condenada. Pensa-se que quando o débito prevalece Deus se levanta rapidamente para castigar o devedor. Por vezes alguns se colocam na condição de castigadores de Deus, como era o caso dos escribas e fariseus.

Por outro lado, o crédito pode prevalecer. Certa vez um jovem rico chegou diante de Jesus achando-se em crédito por obedecer aos mandamentos (Lc 18:18-21). Percebendo o que realmente ele queria Jesus tratou logo de dizer: “só Deus é bom, e mais ninguém”. Talvez na mente dele estivesse a idéia de muitos crentes do séc. XXI, “se estiver com crédito Deus tem que me abençoar”. Por vezes nos colocamos na posição de dignos daquilo que Deus faz.

Mas como Deus nos trata? Será que Ele leva em conta os créditos ou os débitos e realiza sua balança comercial em relação a nós? A Bíblia conta uma história muito conhecida de dois filhos (Lc 15:11-32) e com ambos podemos entender como Deus nos trata. Com o pródigo aprendemos que Deus não contabiliza os débitos. O Pai não levou em conta a vida desregrada do filho quando o recebeu de volta. Deus não nos olha por meio da crítica, Seu olhar é sempre compassivo. As mudanças só podem ocorrer por que Seu amor é sempre o primeiro passo (Rm 5:8). Com o filho que ficou em casa aprendemos que Deus não contabiliza os créditos. Diante de Deus não são os créditos que vão fazer a diferença. Por isso, não devemos nos achar bons o bastante a ponto de merecermos o que vem de Deus.

Mas, afinal, como Deus nos mede? Deus nos mede exclusivamente por sua GRAÇA (Ef 2:8-10). Não existe crédito e nem débito, existe GRAÇA. Não existe balança comercial, existe “balança gracial”. Em Jesus aprendemos que Deus derrama sua graça, seu favor imerecido, tanto para o débito quanto para o crédito que possa existir em nós. Experimente a graça de Deus e sua vida nunca mais será a mesma!

Deus lhe abençoe!

“Quanto vale ou é por quilo?”

Dia desses assisti “Quanto vale ou é por quilo?”. O filme é muito interessante por tratar de assuntos que permearam nossa história e que ainda estão presentes na atualidade. O enredo traz uma história repugnante à medida que escancara a corrupção e o desrespeito com o semelhante, no sentido mais grave que se possa imaginar.

Sempre que assisto algo sobre o período de nossa história em que havia escravidão eu fico a pensar: como pode um ser humano pensar que outro ser humano pode tornar-se sua propriedade? Como pode alguém conceber a idéia de tratar outro como um objeto ou animal apenas por ser negro? Essa história é revoltante, pois evidencia o cúmulo da maldade humana e do desrespeito. De todos os males que se possa fazer contra alguém, talvez seja a escravidão o maior de todos eles.

Por outro lado, a corrupção daqueles que supostamente tem intenção de ajudar também é de revoltar. O filme mostra uma das características marcantes do nosso tempo, a centralidade do indivíduo em torno de si mesmo. O que prevalece é o desejo de se beneficiar e de enriquecer, à custa de todos que estão ao seu redor. Por isso, várias entidades que parecem se importar com as pessoas menos favorecidos, no final das contas respondem a interesses pessoais.

         É inegável que vivemos em um mundo injusto e desigual, algo que o filme também aborda. Muitas vezes julgamos os bandidos, usuários de drogas e delinquentes juvenis, dizendo que eles não poderiam ter tal atitude. Porém, poucas vezes perguntamos pelas origens. Por que tal pessoa agiu ou age dessa maneira? É mais fácil condenar o ato do que propor caminhos que promovam oportunidades para que as coisas sejam diferentes. Concluo com uma afirmação chocante do personagem de Lázaro Ramos que deveria levar-nos a refletir. Ele disse algo mais ou menos assim: “O dinheiro que recebemos por esse seqüestro é a nossa redistribuição de renda”.


Deus lhe abençoe!

Deus não quer os nossos cultos?

Às vezes leio alguns textos da Bíblia e fico preocupado. Começo a refletir sobre minha vida e sobre a vida cristã que vivemos e chego à conclusão: este texto também serve para nós. Estas críticas duras que o povo recebeu, nós também merecemos. Percebo que não há muita diferença entre eles e nós. Anos se acumularam na história, a cultura e o contexto são outros, mas em alguns aspectos nada nos difere de algumas comunidades bíblicas. Tal qual eles, nós somos alvos das mesmas palavras de desaprovação por parte do Senhor.

Então, vamos a um destes textos. Peço que você leia Isaías 1:10-17. Neste texto, a reprovação de Deus é muito severa. Através da boca do profeta, o Senhor diz que rejeitaria quase tudo o que eles estão fazendo em suas vidas religiosas. Por exemplo, Deus diz que não se agradava de seus sacrifícios, dos seus holocaustos, dos seus ajuntamentos solenes (cultos), de suas ofertas, de suas festas e de suas orações. Para o religioso deste tempo, diante destas reprovações do Senhor, cabe a pergunta: o que sobrou da relação deles com Deus? Deus disse: “Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue.” (Is 1:15)

Mas por que será que o Senhor estava tão “irritado” com eles? Qual teria sido a causa de tamanha indignação daquele que é tardio em irar-se? Será que o culto prestado a Deus não era suficiente para agradá-lo? Deus estava irritado porque ele não queria apenas um culto, um ajuntamento de hipócritas. Deus queria vida, mais do que regras. Deus queria amor, mais do que leis. Deus queria compromisso, mais do que obrigação. Deus queria relacionamento profundo, mais do que meras “visitinhas”. Deus queria transformação, mais do que encenação. Deus queria seres humanos, mais do que religiosos. Todo este querer de Deus é traduzido nas palavras do verso 17. Para Deus não adiantava um belo culto no lugar santíssimo, se no dia-a-dia o bem era desprezado, a justiça ignorada, o opressor apoiado, o órfão desamparado e a viúva abandonada.

Seguindo esta linha de raciocínio de Deus, o que o Senhor diria de nossas reuniões? Dos cultos que “oferecemos” a Ele? Das nossas ofertas e dízimos? Das nossas inúmeras atividades feitas em Seu nome? Dos inúmeros talentos que dominicalmente se apresentam diante do Senhor? Todas estas coisas são necessárias e não devem ser deixadas de lado. Contudo, se este culto e oferta a Deus não for acompanhado de uma vida comprometida com os valores do Reino, certamente o Senhor dirá a nós, assim como disse aos judeus do tempo de Isaías: “não posso suportar iniqüidade associada ao ajuntamento solene”.

Mais quem são os órfãos e viúvas do nosso tempo? Quem são aqueles que precisam ser alcançados pela justiça? Onde está o opressor? Infelizmente, o opressor, as viúvas e órfãos, muitas vezes, estão lado a lado assentadas nos bancos de nossas igrejas. Quantas vezes o opressor se levanta na figura do patrão que não paga devidamente os direitos trabalhistas de seu funcionário; na figura do patrão que explora os funcionários com baixíssimos salários, quando se pode e se sabe que o salário deveria ser maior; na omissão de socorro a pessoas sabidamente injustiçadas, por conta de uma falsa idéia de que aquele não é um problema meu; na figura do contratante de uma mão de obra que quer levar “vantagem” a todo custo em cima do serviço prestado; na figura do explorador da ingenuidade alheia. Portanto, irmãos, que continuemos a cultuar a Deus, mas, que, sobretudo, sejamos comprometidos com os valores de Deus, quer dentro da igreja, quer fora dela!

Deus lhe abençoe!