Dia desses assisti “Quanto vale ou é por quilo?”. O filme é muito interessante por tratar de assuntos que permearam nossa história e que ainda estão presentes na atualidade. O enredo traz uma história repugnante à medida que escancara a corrupção e o desrespeito com o semelhante, no sentido mais grave que se possa imaginar.
Sempre que assisto algo sobre o período de nossa história em que havia escravidão eu fico a pensar: como pode um ser humano pensar que outro ser humano pode tornar-se sua propriedade? Como pode alguém conceber a idéia de tratar outro como um objeto ou animal apenas por ser negro? Essa história é revoltante, pois evidencia o cúmulo da maldade humana e do desrespeito. De todos os males que se possa fazer contra alguém, talvez seja a escravidão o maior de todos eles.
Por outro lado, a corrupção daqueles que supostamente tem intenção de ajudar também é de revoltar. O filme mostra uma das características marcantes do nosso tempo, a centralidade do indivíduo em torno de si mesmo. O que prevalece é o desejo de se beneficiar e de enriquecer, à custa de todos que estão ao seu redor. Por isso, várias entidades que parecem se importar com as pessoas menos favorecidos, no final das contas respondem a interesses pessoais.
É inegável que vivemos em um mundo injusto e desigual, algo que o filme também aborda. Muitas vezes julgamos os bandidos, usuários de drogas e delinquentes juvenis, dizendo que eles não poderiam ter tal atitude. Porém, poucas vezes perguntamos pelas origens. Por que tal pessoa agiu ou age dessa maneira? É mais fácil condenar o ato do que propor caminhos que promovam oportunidades para que as coisas sejam diferentes. Concluo com uma afirmação chocante do personagem de Lázaro Ramos que deveria levar-nos a refletir. Ele disse algo mais ou menos assim: “O dinheiro que recebemos por esse seqüestro é a nossa redistribuição de renda”.
Deus lhe abençoe!
Nenhum comentário:
Postar um comentário