segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Deus não quer os nossos cultos?

Às vezes leio alguns textos da Bíblia e fico preocupado. Começo a refletir sobre minha vida e sobre a vida cristã que vivemos e chego à conclusão: este texto também serve para nós. Estas críticas duras que o povo recebeu, nós também merecemos. Percebo que não há muita diferença entre eles e nós. Anos se acumularam na história, a cultura e o contexto são outros, mas em alguns aspectos nada nos difere de algumas comunidades bíblicas. Tal qual eles, nós somos alvos das mesmas palavras de desaprovação por parte do Senhor.

Então, vamos a um destes textos. Peço que você leia Isaías 1:10-17. Neste texto, a reprovação de Deus é muito severa. Através da boca do profeta, o Senhor diz que rejeitaria quase tudo o que eles estão fazendo em suas vidas religiosas. Por exemplo, Deus diz que não se agradava de seus sacrifícios, dos seus holocaustos, dos seus ajuntamentos solenes (cultos), de suas ofertas, de suas festas e de suas orações. Para o religioso deste tempo, diante destas reprovações do Senhor, cabe a pergunta: o que sobrou da relação deles com Deus? Deus disse: “Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue.” (Is 1:15)

Mas por que será que o Senhor estava tão “irritado” com eles? Qual teria sido a causa de tamanha indignação daquele que é tardio em irar-se? Será que o culto prestado a Deus não era suficiente para agradá-lo? Deus estava irritado porque ele não queria apenas um culto, um ajuntamento de hipócritas. Deus queria vida, mais do que regras. Deus queria amor, mais do que leis. Deus queria compromisso, mais do que obrigação. Deus queria relacionamento profundo, mais do que meras “visitinhas”. Deus queria transformação, mais do que encenação. Deus queria seres humanos, mais do que religiosos. Todo este querer de Deus é traduzido nas palavras do verso 17. Para Deus não adiantava um belo culto no lugar santíssimo, se no dia-a-dia o bem era desprezado, a justiça ignorada, o opressor apoiado, o órfão desamparado e a viúva abandonada.

Seguindo esta linha de raciocínio de Deus, o que o Senhor diria de nossas reuniões? Dos cultos que “oferecemos” a Ele? Das nossas ofertas e dízimos? Das nossas inúmeras atividades feitas em Seu nome? Dos inúmeros talentos que dominicalmente se apresentam diante do Senhor? Todas estas coisas são necessárias e não devem ser deixadas de lado. Contudo, se este culto e oferta a Deus não for acompanhado de uma vida comprometida com os valores do Reino, certamente o Senhor dirá a nós, assim como disse aos judeus do tempo de Isaías: “não posso suportar iniqüidade associada ao ajuntamento solene”.

Mais quem são os órfãos e viúvas do nosso tempo? Quem são aqueles que precisam ser alcançados pela justiça? Onde está o opressor? Infelizmente, o opressor, as viúvas e órfãos, muitas vezes, estão lado a lado assentadas nos bancos de nossas igrejas. Quantas vezes o opressor se levanta na figura do patrão que não paga devidamente os direitos trabalhistas de seu funcionário; na figura do patrão que explora os funcionários com baixíssimos salários, quando se pode e se sabe que o salário deveria ser maior; na omissão de socorro a pessoas sabidamente injustiçadas, por conta de uma falsa idéia de que aquele não é um problema meu; na figura do contratante de uma mão de obra que quer levar “vantagem” a todo custo em cima do serviço prestado; na figura do explorador da ingenuidade alheia. Portanto, irmãos, que continuemos a cultuar a Deus, mas, que, sobretudo, sejamos comprometidos com os valores de Deus, quer dentro da igreja, quer fora dela!

Deus lhe abençoe!

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