Há seis meses Deus me fez pai, ou melhor, permitiu que duas crianças lindas me fizessem pai. Minha esposa não teve uma gestação convencional, pois eles nasceram em nossos corações. Sempre foi um sonho e parecia ser bem distante, mas Deus de maneira inesperada agiu e o milagre aconteceu, a paternidade se fez possível mais uma vez. É verdade, ser pai é desfrutar de um milagre de Deus.
De lá para cá muitas coisas mudaram. A vida traçou um novo rumo e a responsabilidade aumentou sobremaneira. Em casa éramos apenas dois, agora somos quatro. Da noite para o dia a cabeça se encheu com novas e genuínas preocupações. Perguntas como estas passaram a rondar minha mente: A comida que meus filhos estão comendo lhes é saudável? E a saúde deles, como está? Qual o conteúdo deste programa de TV que vamos assistir? O que estão fazendo enquanto estou trabalhando? Como foi o seu dia de aula? O que vai acontecer com eles no futuro? É verdade, ser pai é experimentar novos conceitos de responsabilidade.
Se as perguntas mudaram, a rotina da casa também mudou. No varal a maioria das roupas agora é feita em “miniatura”. Os brinquedos estão espalhados por toda a casa. O quarto de visita tornou-se quarto das crianças. O controle da TV já não é propriedade do papai. O horário já não está subordinado aos interesses dos adultos. A atenção da esposa agora sofre a “cruel” concorrência dos filhos. Não é verdade que as crianças sejam donas da casa, mas é bem verdade que elas mudaram a noção de propriedade do papai. Abrir mão em favor do filho não é uma dificuldade. É verdade, ser pai é ser altruísta.
A paternidade apresenta uma nova faceta do amor. Não que este amor seja maior ou menor do que outros amores da minha vida, mas certamente ele é novo e diferente. Como é doce a voz da minha “princesa” dizendo: Papai eu te amo! Como é cativante o sorriso fácil do meu “príncipe”. O amor surge diferente e é capaz de preencher a vida com profunda alegria e significado. É verdade, ser pai é viver um novo amor.
Sei que os meus filhos vão crescer e seguirão suas vidas. Se casarão, terão filhos e quem sabe, mudarão para lugares distantes. Faz parte da vida de pai preparar-se para uma eterna saudade. Mas quem disse que isso é ruim. Vê-los progredir, sendo exatamente aquilo que Deus projetou para suas vidas deve ser a maior realização de um pai. Embora eu ainda não tenha experimentado esta etapa, tenho uma forte convicção, que perto ou longe, pequenos ou grandes, meus filhos continuarão me fazendo um milagre de Deus, um ser responsável e altruísta, e que vive um amor intenso. É verdade, ser pai é ser saudosista, porém convicto.
Por fim vale dizer que Deus é a expressão maior do que seja pai. Ele não apenas experimentou o “milagre” de ser pai, mas ele é o próprio milagre que torna a paternidade possível. Deus é um pai responsável, a tal ponto de lutar até as últimas conseqüências para ver a nossa vitória. Além disso, ele é altruísta na medida em que abre mão de si mesmo em favor de nós. E certamente em Deus Pai está a maior expressão de amor que existe. Portanto, que sejamos pais, mas mais do que isso, que sejamos pais semelhantes ao Deus Pai. “Porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Abba, Pai.” (Gl 4:6).
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