terça-feira, 27 de setembro de 2011

O Deus dos injustiçados.

O livro de Obadias é um daqueles textos que, apesar de sabermos que estão na Bíblia, não temos a mínima noção do seu conteúdo. É claro que este pode não ser o seu caso, pois como em todas as regras existem sempre as exceções. Mas se por acaso você está no grupo daqueles que não tiveram um contato maior com este livro, chama sua atenção para a riqueza de seu conteúdo e a importância de conhecê-lo. Para a reflexão abaixo, se faz necessário que você leia anteriormente os 21 versículos deste pequeno livreto. O contexto histórico de Obadias se dá em meio à conquista de Judá e destruição de Jerusalém por meio dos Babilônicos. O texto retrata características tremendas do nosso Deus que precisam ser entendidas e observadas. Para isto, convido você para uma breve meditação a respeito destes preceitos.
O texto de Obadias fala de um Deus que pune com severidade o mal. Ele se ira contra aqueles que não agem segundo os seus preceitos. Edom é condenada e discriminada por Deus pelo fato de ter agido contra o seu povo, a nação de Judá. Embora o texto pareça dar respaldo para uma teologia de eleição e favorecimento do povo eleito em detrimento a todos os outros, esta não pode ser a aplicação mais eficaz do texto de Obadias. Este tipo de aplicação nos levaria a favorecer apenas àqueles que parecem ser dignos. Contudo, esta visão nos impossibilitaria de perceber o agir de Deus em lugares que extrapolam os limites do cristianismo. Em outras palavras, o cristão, ao pensar o texto desta forma, ficaria bastante tentado a se colocar na sociedade como o eleito de Deus, tendo o próprio Deus, como o vingador contra todos aqueles que agirem, pensarem ou falarem contra ele.
Mais do que pensar em um Deus vingador, é preciso perceber no texto que Deus é apresentado como alguém que luta pelos oprimidos e que chama a todos para a solidariedade e ajuda mútua. Edom de fato foi condenada, mas principalmente porque não se importou com o sofrimento e necessidade de Judá. Mais do que isto, Edom também causou parte deste sofrimento.
Ao pensar em nossa sociedade, esta mensagem tem um profundo significado. Quantas são as pessoas que estão sofrendo, sendo exploradas, mal-tratadas, discriminadas, assassinadas, abandonadas, escravizadas, roubadas, assim como Judá, e a semelhança de Edom, nós não apenas não nos importamos com todo este sofrimento, como em muitas ocasiões somos a própria causa dele. Assim como Edom, habitamos nas confortáveis e seguras fendas da rocha, as nossas igrejas, enquanto lá fora a Judá de Deus morre desamparada. Não se engane, neste caso, o escolhido de Deus, ou seja, Judá, não são os habitantes das fendas, mas  todo aquele que precisa de amparo.
É necessário sermos neste tempo uma geração que desafia o mal e o combate. Não se trata apenas de um mal sobrenatural e transcendente. Trata-se do mal que nasce no coração humano, e que é capaz de desumanizar aqueles que estão ao seu redor. O mal que nasce no coração de muitos governantes, de muitos sistemas políticos opressores, de muitos pais de família, de muitos religiosos e igrejas, que pensam apenas em si e não percebem o sofrimento e necessidade alheia. Este é um dos males que mais tem assolado as igrejas. Pensamos de maneira tão focada nos limites da igreja que não somos capazes de perceber que lá fora existe vida. Vida importante. Vida que custou o sangue de Cristo e que também é merecedora do amor de Deus. O que é o cristão para ter a pretensão de dizer a Deus quem Ele deve amar? Se de fato conhecemos o amor de Deus, temos que anuncia-lo a todos indistintamente. Não apenas com palavras bonitas e previamente preparadas, mas, sobretudo, com atitudes.

Deus lhe abençoe!

Um comentário:

  1. Ouvi em um domingo da Missionária Angelina(JMN) que "a Igreja ainda não é triunfante e sim militante", o que me fez refletir em muito em minha postura como cristã. É necessário fazer Cristo conhecido a todos INDISTINTAMENTE - "Assim, também, não é vontade de vosso Pai, que está nos céus, que nenhum destes se perca."(Mateus 18:14)Precisamos fazer a diferença e anunciar as Boas Novas do Senhor HOJE, pois amanhã pode ser tarde! Amanda

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