quarta-feira, 6 de junho de 2012

Jesus, um ser grandiosamente pequeno! (Fl 2:5-11)


Eu gosto de pensar em Jesus como um ser grandioso, majestoso e incrivelmente maior que a minha capacidade de compreendê-lo. Simultaneamente também gosto de me relacionar com Jesus como um ser pequeno, acessível e próximo. A Bíblia me dá margem para pensar das duas maneiras, e creio que ambas estão biblicamente corretas. Olhar para Jesus como um ser grandioso me faz lembrar quem eu sou. Percebo facilmente a minha insignificância e, portanto, a minha total necessidade de depender dele. Por outro lado, olhar para Jesus como ser pequeno não me deixa esquecer quem ele é. Me ajuda a lembrar que por mais inapropriado e pecador que eu seja Jesus sempre irá sujeitar-se a me abraçar. Isso é incrível!
A grandeza de Jesus afirma que Ele é poderoso. Teologicamente até criamos um termo para relembrarmos essa verdade inquestionável: Onipotência. Isso significa que não há nada que pensamos ou imaginamos que Jesus não possa fazer. Por outro lado, pela pequenez de Jesus lembramos que Ele é amor em sua expressão máxima. Por amor a gente até abre mão de certos direitos, e com Jesus não foi diferente (Fl 2:6). Por exemplo, pelo seu poder grandioso Jesus poderia eliminar o mal acabando com o ser humano mal. Mas pelo seu “amor que o torna pequeno” ele preferiu fazê-lo entregando sua própria vida em uma cruz. 
A grandeza de Jesus afirma que Ele criou todas as coisas. Como ser infinito criou coisas finitas, obras de sua mão. Cada átomo, cada energia, cada célula, cada organismo, cada espécie, cada ecossistema, cada planeta, cada sistema planetário, cada galáxia, tudo isso e muito mais, milimetricamente arquitetado pelo maior inventor e criador de todos os tempos (Jo 1:3). Alguém poderia pensar: ser tão grandioso como este jamais se sujeitaria a se aproximar de seres tão pequenos e limitados como, por exemplo, os seres humanos. Mas aqui entra a face pequena de Jesus, que se aproximou dos seres criados desejando se relacionar com eles. Essa é uma verdadeira maravilha que somente um ser grandiosamente pequeno como Jesus poderia realizar.
Um dos atributos que podem reforçar a grandeza de Jesus é o fato de que nele não se encontra nenhum tipo de pecado, ou seja, sua santidade. Afirmamos inclusive que o que torna Jesus diferente dos demais seres humanos dando legitimidade a sua obra redentora é o fato dele ser imaculado. Pois bem, alguém tão puro e santo como Jesus não poderia se aproximar de seres de reputação duvidosa, poderíamos pensar. Mas o lado pequeno de Jesus faz com que, a despeito de sua santidade, se aproxime do pecador. Ora comendo junto (Mc 2:16), ora livrando da morte (Jo 8:7), ora pedindo favor (Jo 4:7), ora deixando-se ser ungido (Mt 26:7). Seja como for, biblicamente é incontestável que Jesus, o santo, andou e se relacionou com inúmeros pecadores.
Há outra afirmação teológica que testifica da grandeza de Jesus, sua onipresença. Muitas vezes lembramos desse fato para dizer que Jesus está sempre presente, não importa o que aconteça. Mas às vezes parece que a onipresença é tão grandiosa que torna a presença desejada de Jesus impessoal. É quase que o fato de Jesus estar presente em nada tem a ver propriamente conosco e sim com sua característica divina de estar presente em todo lugar ao mesmo tempo. Daí eu me recordo que Jesus é tão grande ao ponto de ser onipresente e ao mesmo tempo tão pequeno a ponto de deixar-me aconchegar em seu peito (Jo 13:25). Milagrosamente Jesus reserva tempo e lugar específico para que a gente, só eu e Ele, possa se encontrar. No íntimo da presença do Mestre desfruto de seus ombros exclusivamente.
Apesar dessa possibilidade certa de comunhão íntima, não consigo esquecer que a grandeza de Jesus faz com que suas palavras sejam mandamentos. Em sua presença é bom permanecer em silêncio e atento ao que Ele diz. Da nossa parte espera-se a obediência. Esta forma de comunicação está correta e poderia terminar aqui se não fosse o fato de que Jesus se apequenou a ponto de querer me ouvir. Fico pensando, o que poderia dizer de especial que pudesse impressionar Jesus ou mesmo agradá-lo? Então chego a conclusão que não importa o que eu digo e nem como digo, só importa o fato de que a pequenez de Jesus o levou a querer me ouvir. Os mandamentos continuam sendo mandamentos, mas na face pequena de Jesus abre-se um novo tipo de comunicação, o diálogo.
Finalmente, diante da grandeza de Jesus, devo lembrar que a ele pertence toda a glória. Não me parece difícil pensar assim, pois tenho me acostumado a ver, e muitas vezes fazer, reverência a outro ser humano somente por que aparentemente alcançou um lugar de destaque na sociedade. Se já tenho predisposição em admirar humanos por conquistas humanas, temporais e passageiras, que poderia dizer de Jesus e suas conquistas? Sei que Ele merece toda glória e honra (Fl 2:9). O que é incrível para mim é o fato de que em sua pequenez Jesus quis humilhar-se assumindo a forma de servo (Fl 2:7). Assim o grande Jesus recebeu o nome pelo qual todo joelho se dobrará, e assim o pequeno Jesus dobrou seus joelhos para lavar os pés dos discípulos.
 Paulo começa nosso texto dizendo que deveríamos ter o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus. Quero encerrar essa reflexão ressaltando esse princípio, a grandeza e a pequenez, apesar de antônimas, não precisam andar separadas. Caminhando com Jesus podemos e devemos aprender que nossa vida deve ser vivida de maneira grandiosamente pequena. Isso significa que sabemos que somos pequenos a ponto de sermos totalmente dependentes do nosso Senhor Jesus e ao mesmo tempo “tão grandes” a ponto de termos custado seu sangue vertido na cruz. Viva a pequenez de Jesus para realmente experimentar sua grandeza.

Deus lhe abençoe!

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