Nessa manhã vou ministrar uma aula sobre dons espirituais na Escola Bíblica Domical de minha Igreja. Quero compartilhar alguma coisa aqui no blog. Os dons espirituais são concedidos pelo Espírito Santo conforme ele quer (I Cor 12:1). O Espírito não está subordinado à ação humana para conceder estes dons. Os dons que Ele concede sempre visam um fim proveitoso (I Cor 12:7) e certamente não está refém da vaidade humana, muito menos no oferecimento de honras e destaque. Todo e qualquer dom deve sempre ser utilizado para cumprir seu principal objetivo que é a edificação da igreja (I cor 14:12).
Há uma variedade de dons. O apóstolo Paulo faz uma listagem em sua primeira carta à igreja de Corinto. A lista apresenta os seguintes: sabedoria, conhecimento, fé, cura, operações de milagres, profecia, discernimento de espíritos, variedade de línguas e interpretação de línguas (I Cor 12:8-11). Todos estes dons podem ser conferidos aos servos de Deus, mas não há, por parte do Espírito, obrigatoriedade com ninguém e com nenhum dom, no sentido de que se a pessoa não tiver determinado dom, sua relação com Deus está enfraquecida. O Espírito age como quer e distribui os dons como quer.
O apóstolo, ainda na mesma carta, afirma que qualquer dom deve ser empregado com amor (I cor 13). Em sua visão, não basta ter o dom, é preciso que este dom seja sempre acompanhado pelo amor. O amor é quem vai validar a ação de determinado dom. O dom pode ser um instrumento de poder e orgulho se não for precedido do amor. Então é importante buscar perceber o dom e evoluir em sua utilização, mas o caminho sobremodo excelente (I Cor 12:31) se dará pelas vias do amor.
Paulo, ao escrever esta carta e ao falar acerca dos dons espirituais, tinha uma preocupação: equilibrar o andamento das práticas da igreja relacionadas aos dons. A igreja de Corinto estava supervalorizando o dom de línguas (I Cor 14:23) e havia uma certa desordem nos cultos por conta disto. Além disto, havia uma preocupação do apóstolo em relação a incrédulos que, por ventura, entrassem na igreja e não conseguissem compreender nada do que estavam dizendo. Por isso ele vai dizer que era necessário ordem no culto (I Cor 14:26-36), inclusive e especialmente em relação ao dom de línguas.
Atualmente este dom tem sido um dos principais argumentos fundantes da divisão entre os grupos chamados de pentecostais e tradicionais. Parece que ambos se distanciaram principalmente pelo fato de defenderem extremos. Uns, os pentecostais, afirmam que aquele que realmente passou por uma experiência com Cristo necessariamente deve falar em línguas. É como se fosse um sinal da verdadeira conversão. Neste sentido surge a idéia do batismo no Espírito como uma segunda experiência com o Espírito de Deus em que Ele verdadeiramente completa sua obra e a sela. Para que todos possam perceber esta obra realizada, o Espírito Santo concede o dom de línguas.
Este posicionamento é totalmente equivocado. Primeiro, como já foi dito acima, o Espírito concede os dons de maneira livre e sem nenhuma obrigatoriedade. Não há argumentos bíblicos que afirmem que todo cristão tenha que necessariamente falar em línguas (I Cor 14:5a). Segundo, o dom de línguas é apresentado por Paulo como um dom dispensável e de utilização controversa, pois quem fala em línguas estranhas não traz edificação para a igreja (I Cor 14:1-25), sendo esta a principal razão da existência dos dons. Terceiro, por ser dispensável, e quando comparado ao dom de profetizar, ele se torna inferior (I Cor 14:5b). Portanto, o dom de línguas não pode ser elemento aferidor de conversão ou santificação.
Por outro lado muitos tradicionais rejeitam o dom de línguas como se não fosse bíblico. Este parece ser outro extremo. Rejeitá-lo é rejeitar a declaração de Paulo a igreja de corinto, visto que o apóstolo gasta um bom tempo para tratar sobre este dom. Em nenhum momento o apóstolo proíbe o falar em outras línguas. O que ele esclarece é como isto deveria ser feito, a partir do respeito de alguns critérios que ele determina. Além disto, ele afirma que gostaria que todos falassem em línguas (I Cor 14:5a), pois isto traria edificação individual (I Cor 5:4). Outra coisa importante é o fato de ser o Espírito quem concede o dom de línguas (I Cor 12:10) e, portanto, não cabe a igreja nem aos seus líderes determinar a não utilização completa deste dom (I cor 14:39).
O caminho sobremodo excelente, o amor, deve ser aplicado aqui. É preciso encontrar um equilíbrio entre o negar totalmente e o afirmar totalmente. Por amor, não se deve exigir de quem o Espírito não concedeu o dom de línguas que ele fale em línguas estranhas. Por amor também não se pode exigir de quem o Espírito concedeu o dom que ele nunca o utilize. E também por amor, deve ser estabelecidos critérios, assim como o apóstolo Paulo fez com a igreja de Corinto, para a utilização deste dom, a fim de que o indivíduo seja edificado, mas, que muito mais, a igreja seja edificada.
Deus lhe abençoe!
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